Greve geral à vista? Dos sindicatos ao Governo, eis o ponto

Greve geral à vista? Dos sindicatos ao Governo, eis o ponto

A UGT aprovou, na quinta-feira, a decisão de avançar, em convergência com a CGTP, para uma greve geral em 11 de dezembro, contra o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral. Já o Governo diz estar de “portas abertas” ao diálogo para evitar a paralisação. A decisão da UGT, refira-se, foi aprovada por unanimidade e aclamação pelo Conselho Geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), sob proposta do secretariado nacional. “A UGT tomou esta decisão depois de um ciclo de reuniões”, quer bilaterais, quer plenárias no âmbito da concertação social “com o Governo português e com parceiros patronais”, afirmou o secretário-geral da UGT, em conferência de imprensa, indicando que desses encontros “não resultaram condições” para levar “a cabo as propostas que a UGT tinha”. Esta será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais, desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’. A greve geral, recorde-se, foi convocada pela CGTP em protesto contra o anteprojeto do Governo para revisão da legislação laboral, que está a ser debatido com os parceiros sociais e que prevê a revisão de “mais de uma centena” de artigos do Código de Trabalho. A UGT não recua e aprovou, esta quinta-feira, a decisão de avançar, em convergência com a CGTP, para uma greve geral em 11 de dezembro, contra o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral, foi hoje anunciado. Notícias ao Minuto com Lusa | 15:19 – 13/11/2025 Governo diz-se de “portas abertas” ao diálogo Por sua vez, o Governo assinalou que está de “portas abertas” ao diálogo para evitar a greve geral, defendendo que a paralisação prevista “não serve os interesses dos portugueses”, sem querer para já abordar a hipótese de serviços mínimos. “Os portugueses querem que o diálogo avance, não querem que o país pare”, disse o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, na conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de ministros, em que defendeu que o executivo tem feito “aproximações efetivas” às posições das centrais sindicais. O ministro defendeu que “a procissão legislativa ainda vai no adro”, recorrendo a uma expressão já utilizada pelo Presidente da República, e, questionado se o Governo admite decretar serviços mínimos na greve geral prevista para 11 de dezembro, recusou abordar para já este tema. “Nós não vamos escalar a linguagem num momento em que há decisões a tomar, não há sequer pré-avisos, e nós esperemos que não venham a existir”, disse. Leitão Amaro nunca respondeu ao facto de alguns dirigentes do PSD também terem divergências quanto ao pacote laboral em discussão na concertação social – como a presidente da UGT e vice-presidente do PSD Lucinda Dâmaso ou o líder dos Trabalhadores Social-Democratas, Pedro Roque. “Perguntaram-me a quem é que serve esta greve, eu garanto-vos a quem é que não serve: aos portugueses, que vão ficar apeados na estação de comboio, que vão ficar apeados à porta de serviços públicos, que querem trabalhar e não conseguem, que querem deixar os filhos para aprender e não conseguem”, apontou, depois de o primeiro-ministro ter dito que a paralisação serviria apenas interesses partidários de PS e PCP. “Na minha opinião, não há razões para haver uma greve geral em Portugal” Também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, considera que não há razões neste momento para haver uma greve geral em Portugal, no seguimento da paralisação que foi convocada para dia 11 de dezembro. “Não há razões para haver uma greve geral em Portugal, sobretudo num momento em que o país tem muitos desafios para superar. Se é importante frisar que a capacidade reivindicativa não está em causa, também é importante dizer que ela deve ser exercida com sentido de responsabilidade”, advertiu. O primeiro-ministro classificou mesmo como inédito que UGT e CGTP-IN se juntem para uma greve geral na presente conjuntura do país. “Está em causa um conjunto de alterações legislativas que estão em discussão e em formação. Não há sequer uma proposta final. Há um anteprojeto que está em cima da mesa de negociação com todos os intervenientes na concertação social, em particular com as entidades empregadoras e com as entidades representativas dos trabalhadores”, apontou. O anteprojeto do Governo para revisão da legislação laboral, que está a ser debatido com os parceiros sociais, prevê a revisão de “mais de uma centena” de artigos do Código de Trabalho. Saiba, ponto a ponto, o que está em causa. Beatriz Vasconcelos com Lusa | 08:25 – 12/11/2025 Leia Também: “Não há razões para uma greve geral”? O que dizem as centrais sindicais?

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