Crises? “Estamos em posição bastante favorável para acomodar

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, disse nesta segunda-feira que Portugal está em uma posição “bastante confortável” para acomodar e responder aos efeitos da crise gerada pelo conflito no Oriente Médio, justificando com os resultados das contas públicas de 2025. “Tivemos um superávit orçamentário de 0,7% do PIB em 2025. Nossas previsões orçamentárias são bastante positivas para este ano e para o próximo, por isso estamos em uma posição bastante favorável para acomodar e responder aos impactos dessas várias crises”, disse Miranda Sarmento em entrevista à Bloomberg. O ministro das Finanças explicou que até a guerra no Oriente Médio começar, as “perspectivas de crescimento da economia portuguesa e da economia europeia como um todo eram bastante positivas”, mas reconhece que, “no caso de Portugal, tivemos várias tempestades e inundações que afetaram partes do nosso território, com impactos econômicos e orçamentários significativos, e agora temos essa situação no Irã”. “Naturalmente, tudo dependerá, em grande parte, da duração, dimensão e impacto do conflito. Se o conflito se prolongar por um período significativo e afetar o fornecimento de petróleo e gás, muito provavelmente teremos um impacto relevante no crescimento da economia mundial e da economia europeia, e, naturalmente, a economia portuguesa será afetada”, admitiu ainda o governante. Superávit de 2025 dá “margem” para resposta Vale lembrar que, na semana passada, o ministro da Fazenda afirmou que o superávit de 0,7% do PIB de 2025 dá margem ao Estado para atuar na resposta às crises das tempestades e do Irã, mas ressaltou que o governo manterá a estratégia fiscal. “O resultado de 2025 é muito importante”, porque “reforça a posição e a avaliação externa de Portugal” e “permite ao Estado ter margem para atuar na resposta às crises das tempestades e agora do Irão”, disse, numa conferência de imprensa no Ministério das Finanças, em Lisboa. Joaquim Miranda Sarmento reagia à divulgação, feita pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de que Portugal terminou o ano de 2025 com um excedente orçamental de 2.058,6 milhões de euros, o equivalente a 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), superior à previsão de 0,3% do Governo. O ministro ressaltou que o resultado melhora o ponto de partida, mas que “não tem transposição direta para 2026” e ressaltou que “o ano de 2026 já era muito exigente do ponto de vista orçamentário, dado o alto volume de empréstimos do PRR”. “Esses resultados são uma grande vitória de Portugal”, disse, dizendo que permitem se afirmar “no plano internacional como um país de contas equilibradas, previsíveis e com superávits orçamentários”. Sarmento lembrou que o governo, “contra narrativas pessimistas”, sempre afirmou que haveria superávit em 2025 e que “o ‘superávit’ seria robusto”, tendo sempre dito isso “mesmo contra aqueles que fizeram de tudo para criar uma narrativa de que este governo estava apenas consumindo a margem fiscal”. “Que a redução de impostos, a valorização das carreiras no serviço público e o reforço de benefícios sociais colocariam as contas públicas em risco. Essa tese foi amplificada por projeções que apontavam saldos próximos de zero ou mesmo negativos”, afirmou, sem identificar a quem se dirigia. Miranda Sarmento ressaltou que foi possível manter um superávit tendo reduzido impostos, valorizado carreiras na administração pública, aumentado aposentadorias, benefícios sociais e acelerado o investimento público, e lembrou que, no debate político e público, ouviu-se de forma repetida que o executivo “estaria esgotando a margem orçamentária”. Leia Também: Superávit orçamentário? “Valeu a pena termos sido formigas e não cigarras”



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