Horticultores de Varzim alertam para impacto no preço de

Em declarações à Lusa, o presidente da associação empresarial Horpozim, Manuel Silva, explicou que muitos produtores adquiriram fertilizantes e outros fatores de produção ainda no final do ano passado, permitindo amortecer o impacto da recente escalada de preços. “Isso é algo que se vai ver mais lá à frente, até porque, em muitas das culturas que estão na terra, os custos já estavam suportados com aquilo que já se tinha comprado ainda no final do ano transato”, afirmou. Segundo o líder comunitário, o impacto mais visível neste momento está relacionado principalmente ao aumento dos custos de mão de obra e transporte, fatores que já estão refletidos nos preços ao consumidor. “O aumento dos fertilizantes ainda não tem um impacto real. O que está refletido é um aumento dos custos de mão de obra e no transporte, que necessariamente está refletido também no preço”, referiu. Ainda assim, Manuel Silva antecipa que os próximos meses serão mais difíceis para os produtores hortícolas, admitindo que a alta dos preços dos fertilizantes e combustíveis acabará inevitavelmente repercutindo nos custos de produção. “Para a safra de verão e outono acredito que já se terá de refletir o preço dos fertilizantes, dos tratamentos fitofármacos, como também do aumento do diesel. Isso vai se fazer refletir mais à frente”, alertou. O chefe da Horpozim também criticou o que considera ser alguma especulação em torno da atual conjuntura, argumentando que os agricultores e consumidores continuam sendo um dos elos mais frágeis da cadeia de valor alimentar. “Teve quem se aproveitou da situação e fez os preços refletirem logo e o consumidor já foi um pouco penalizado, mas o agricultor não tirou nenhum benefício disso”, ressaltou. Manuel Silva lamentou ainda a falta de mecanismos efetivos de acompanhamento das relações comerciais entre produção e distribuição, lembrando a criação da Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar (PARCA). “Nunca se monitorou realmente esses excessos em termos de poderio econômico entre quem realmente tem o consumo na mão e quem, no fundo, limita-se a fazer oferta, que é a produção”, afirmou. Como exemplo, ele indicou que “o tomate na produção está sendo pago neste momento a 50 centavos o quilo”, enquanto o preço ao consumidor aparece “multiplicado por cinco, seis ou sete”. Diante da crescente pressão sobre os custos de produção, muitos agricultores da região têm buscado alternativas à adubação química tradicional, apostando em soluções orgânicas e práticas de economia circular. “Temos que tratar o solo como um ecossistema vivo”, defendeu o diretor da Horpozim, explicando que os produtores têm recorrido cada vez mais à incorporação de matéria orgânica da atividade pecuária da região. “Temos disponibilidade de matéria orgânica, dos excedentes da pecuária aqui da região, das ‘camas dos animais’. E tem sido usada mais essa solução, incorporando nos solos mais essa matéria”, explicou. Segundo Manuel Silva, essa estratégia permite não apenas reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados, mas também melhorar a qualidade e a sustentabilidade das fazendas. “Vamos encontrando soluções para possibilitar menos dependência da adubação química”, disse, acrescentando que essa prática “também se reflete na qualidade dos nossos produtos”. O líder associativo considera que os agricultores vivem atualmente uma fase de adaptação profunda, marcada pela necessidade de conciliar sustentabilidade ambiental, rentabilidade econômica e adaptação às mudanças climáticas. “O agricultor vive uma fase de saber viver as mudanças climáticas, com a escassez de fertilizantes e com as questões de sustentabilidade”, resumiu. A posição da Horpozim vem depois que o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, defendeu em Bruxelas uma resposta europeia para frear a escalada de preços e a escassez de fertilizantes na União Europeia, agravadas pelo conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do estreito de Ormuz. Leia Também: Analistas chineses apontam enfraquecimento da hegemonia marítima dos EUA



Publicar comentário