Humoristas Gilmário Vemba, Hugo Sousa e Murilo Couto
O humorista angolano Gilmário Vemba anunciou neste domingo, 20 de Julho, a partir do Aeroporto Internacional de Maputo, o cancelamento de um espectáculo que deveria ter acontecido na capital moçambicana, juntamente com o português Hugo Sousa e o brasileiro Murilo Couto, por terem sido impedidos de entrar no País. “Infelizmente, não vamos conseguir fazer o espectáculo”, afirmou Vemba, numa transmissão em directo na rede social Instagram, explicando que os três aguardavam desde as 14h00 locais pela entrada no País, a qual “foi impedida pelas autoridades, desconhecendo os motivos e confirmando o cancelamento do espectáculo e reembolso dos bilhetes”. Numa publicação, a Lusa afirma ter contactado o Serviço Nacional de Migração (Senami) de Moçambique, mas não obteve nenhuma explicação para a alegada retenção dos humoristas no Aeroporto Internacional de Maputo. Por sua vez, uma fonte ligada à produção do evento explicou à agência portuguesa que o espectáculo, que contava com casa cheia, era do grupo “Tons de Comédia”, do qual fazem parte o humorista português Hugo Sousa, Gilmário Vemba, radicado em Portugal, e o brasileiro Murilo Couto. “Encontram-se retidos no aeroporto após aterrarem num voo proveniente de Luanda, onde estiveram em espectáculo na noite anterior”, disse a mesma fonte, acrescentando que os três estavam acompanhados do agente Pedro Gonçalves, da produtora Showtime. O espectáculo deste domingo estava marcado para as 17h00 no Centro Cultural Moçambique-China, na cidade de Maputo. Gilmário Vemba já tinha actuado em Moçambique no passado, sem registo de incidentes. Gilmário Vemba e Venâncio Mondlane Em reacção, Dinis Tivane, assessor do político e ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, afirmou através da sua conta na rede social Facebook, que Gilmário Vemba foi “impedido de entrar em Moçambique, por expor as suas opiniões”. No entanto, entre várias razões para o impedimento de Gilmário Vemba está a sua proximidade com o político Venâncio Mondlane e apoio demonstrado durante as manifestações que acontecerem em Moçambique. Em 8 de Julho, ambos partilharam publicamente um encontro, em Lisboa, exaltando “Anamalala”, que em língua macua, falada no Norte de Moçambique, significa “vai acabar” ou “acabou”, expressão usada pelo político durante a campanha para as eleições gerais de 9 de Outubro de 2024. A palavra popularizou-se também nos protestos convocados por Mondlane, em repúdio aos resultados anunciados pela Comissão Nacional de Eleições e validados pelo Conselho Constitucional. Em Maio, Venâncio Mondlane avançou com a constituição do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamalala). Moçambique viveu desde as eleições de Outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas por Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais que deram vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, partido no poder. Segundo organizações não-governamentais que acompanham o processo eleitoral, cerca de 400 pessoas perderam a vida em resultado de confrontos com a polícia, conflitos que cessaram após encontros entre Mondlane e Chapo, em 23 de Março e em 20 de Maio, com vista à pacificação do País.advertisement



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