Imigrantes vêm mais qualificados, mas mercado não acompanha:

Imigrantes vêm mais qualificados, mas mercado não acompanha:

Um estudo do centro de formação Prepara Portugal revela que um em cada quatro estrangeiros que vêm para Portugal tem ensino superior, mas muitos acabam em funções que não exigem formação universitária. O motivo? Lacunas como o inglês travam o acesso a melhores oportunidades e impulsionam a busca por cursos profissionalizantes. “Quase um em cada quatro imigrantes residentes em Portugal possui ensino superior, proporção que já supera ligeiramente a da população portuguesa. De acordo com os dados mais recentes dos Censos do Instituto Nacional de Estatística (INE), 24,24% dos estrangeiros no país têm formação superior, ante 24,09% entre os cidadãos portugueses. O indicador foi analisado em um estudo desenvolvido pelo Centro de Formação Prepara Portugal, que, além das estatísticas do INE, baseou-se em informações da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), da Pordata e da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima)”, pode ler-se num comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso. Esses números apontam para uma mudança no perfil da imigração recente: “A análise indica que a qualificação da população imigrante tem aumentado ao longo da última década. Entre algumas comunidades estrangeiras, o crescimento da escolaridade é particularmente expressivo. No caso de Angola, por exemplo, a proporção de residentes com ensino superior passou de 7,4% em 2011 para 22,6% em 2021, evidenciando um salto significativo no perfil educacional dos novos fluxos migratórios”, afirma Higor Cerqueira, fundador e diretor pedagógico do Prepara Portugal, citado na mesma nota. Mercado não acompanha nível de qualificação: Por quê? No entanto, e apesar desse nível de qualificação, muitos estrangeiros acabam ocupando funções que não exigem formação superior, de acordo com o mesmo estudo. “Em setores como restauração e construção civil, cerca de um em cada cinco trabalhadores imigrantes possui ensino superior, com 21,24% na restauração e 19,93% na construção. O estudo aponta que esta discrepância entre formação e ocupação profissional tem levado muitos imigrantes a procurar formação complementar e novas competências depois de chegarem ao país”, pode ler-se na nota divulgada. Higor Cerqueira explica que “esta realidade mostra que existe um capital humano qualificado que muitas vezes não é plenamente aproveitado” e que a “formação profissional pode ser a ponte entre o potencial destes profissionais e as oportunidades reais do mercado. Por seu turdo, o formador Pedro Stob, que coordena o estudo, destaca que este fenômeno acontece num contexto de aumento da população estrangeira em Portugal. “Além do aumento expressivo, a população imigrante apresenta um perfil mais jovem e ativo. 85,5% dos estrangeiros residentes estão em idade ativa, entre 18 e 64 anos, enquanto entre os cidadãos portugueses essa proporção é de cerca de 65,5%”, explica, citado também no mesmo comunicado. Higor Cerqueira revela também que o Prepara Portugal “já recebeu, em pouco mais de um ano, 2.502 alunos de mais de 35 nacionalidades”. A Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) afastou hoje qualquer risco de irregularidade para os imigrantes com documentos vencidos, mas que tenham processos em andamento junto às autoridades portuguesas.

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