Impacto da guerra na carteira? “Poderá haver choque

O conflito no Oriente Médio já está tendo impacto nos preços da energia – em particular no petróleo e no gás natural -, mas o impacto econômico dependerá de quanto tempo a guerra vai durar. No entanto, é quase certo que essa situação terá impacto na carteira dos portugueses, desde logo porque pode haver um “choque energético grave” que levará a uma alta dos preços. “Estamos com apenas quatro dias de conflito, temos aqui algumas mudanças no mercado financeiro, principalmente no mercado de energia, onde pode haver um choque energético grave se isso continuar”, disse Daniel Rocha, especialista em Economia, Investimentos e Geopolítica, em declarações à CNN Portugal. O economista explica que “quanto mais semanas este conflito durar – e o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que pode durar três a quatro semanas, e pode durar até bastante mais -, quanto mais tempo este conflito durar, quanto mais tempo existirem dificuldades no abastecimento e na exportação de energia dos Estados do Golfo, nós claramente vamos sofrer”. Daniel Rocha diz que é certo que “pagaremos mais pela energia” e isso terá repercussões nos demais preços. O impacto em Portugal Os conflitos na região do Golfo terão impacto na economia portuguesa principalmente através dos preços, e também podem pressionar as contas públicas, nomeadamente após o choque causado pelas tempestades, apontam economistas à Lusa. “O impacto mais visível do conflito será nos preços dos combustíveis e também eletricidade”, indicou à Lusa Ricardo Amaro, lead economist para a Zona Euro da Oxford Economics, acrescentando que ainda há “vários cenários em cima da mesa neste momento”. A estimativa para o barril do petróleo situa-se perto dos 80 dólares no próximo trimestre, mas com um regresso para os níveis de janeiro no verão, notou, “com a média anual ficando-se pelos 68 dólares por barril, apenas ligeiramente acima dos 65 dólares previstos pelo governo no Orçamento do Estado”. Ainda assim, há riscos que podem aumentar os efeitos, dependendo da duração do conflito ou da possibilidade de um impacto mais agressivo no curto prazo, “particularmente se o Irã conseguir suspender a circulação no estreito de Ormuz de forma prolongada”, alertou. Barril já ultrapassou US$ 85 O barril de Brent para entrega em maio atingiu hoje US$ 85,12, o maior valor desde julho de 2024, tendo subido cerca de 8%. Os preços do petróleo continuam a subir, com investidores temerosos diante do conflito no Oriente Médio. Os mercados temem que o conflito se estenda além do previsto, podendo causar distúrbios no abastecimento, diante de limitações no Estreito de Ormuz. Do outro lado do Oceano Atlântico, o equivalente, o West Texas Intermediate, para entrega em abril, subiu 7,36%, para US$ 76,47. O estreito de Ormuz é a principal rota de transporte de petróleo e gás do mundo, por onde passam cerca de um em cada cinco barris de petróleo, e qualquer interrupção nessa via tem impacto imediato na economia mundial, de acordo com a Administração de Informações Energéticas dos Estados Unidos. Israel e Estados Unidos lançaram um ataque militar contra o Irã no sábado, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerã respondeu com mísseis e drones contra bases americanas na região e alvos israelenses. Segundo o Crescente Vermelho iraniano, ataques de Israel e dos Estados Unidos deixaram 787 mortos desde sábado. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares dos EUA. Leia também: Barril de Brent ultrapassa US$ 85 e atinge máxima de julho de 2024



Publicar comentário