Índice da FUNDEC Revela Sector Privado Sob “Forte

Banco Mundial Alerta Para "Pressão Fiscal e Baixo

a d v e r t i s e m e n tA Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC) alertou que o sector privado continua a operar num ambiente de “elevada vulnerabilidade estrutural”, marcado por baixa competitividade, fraco acesso ao crédito, desaceleração do investimento e elevados custos de produção.

O alerta foi lançado esta sexta-feira (8), em Maputo, durante a apresentação oficial do Índice de Competitividade Empresarial de Moçambique (ICEM) e do Rating Empresarial Financeiro (REF), conduzida pelo economista-chefe da instituição, Clésio Foia.

Segundo o responsável, os indicadores revelam “um quadro estruturalmente desafiante para o sector empresarial nacional, marcado por baixa competitividade sistémica, fragilidade produtiva intersectorial e desaceleração do investimento produtivo”. O ICEM registou 26,26 pontos no primeiro semestre de 2024, classificação considerada crítica pela FUNDEC. No segundo semestre do mesmo ano, o índice subiu para 30 pontos, mas continuou a reflectir “fragilidades estruturais com níveis extremos”.

“Os resultados posicionam-se para níveis extremos e críticos, o que significa que o nosso tecido empresarial continua a operar em elevado nível de vulnerabilidade estrutural, forte exposição a choques macroeconómicos e limitada capacidade de expansão sustentada”, afirmou Clésio Foia. Os dados apresentados mostram que a agricultura, a indústria transformadora e os transportes e logística continuam entre os sectores mais afectados pela baixa produtividade e dificuldades de financiamento.

Na agricultura, a produtividade por trabalhador caiu 45,6% entre o primeiro e o segundo semestre de 2024, passando de cerca de 8 mil meticais para 4 mil meticais por trabalhador. O investimento por trabalhador também recuou 28%. “O sector agrícola continua marginalizado pelas diversas fontes de acesso ao financiamento”, afirmou Foia, acrescentando que a matriz de risco dos bancos comerciais continua pouco ajustada às necessidades do sector.

A FUNDEC destacou igualmente que, apesar de empregar cerca de 70% da mão-de-obra moçambicana, a agricultura enfrenta graves limitações estruturais, incluindo fraco acesso ao crédito, vulnerabilidade climática, falta de infra-estruturas, baixa mecanização e dificuldades de uso da terra como garantia bancária. “A agricultura é a base do desenvolvimento de Moçambique, mas parece que está a ser marginalizada”, declarou o economista.

O relatório critica a forte dependência da economia moçambicana em relação aos megaprojectos extractivos

Na indústria transformadora, o cenário também é considerado preocupante. Segundo a apresentação, cada trabalhador do sector produz apenas cerca de 600 meticais por semestre, enquanto o investimento por trabalhador caiu 30% em 2024. “A manufactura ainda é um desafio estrutural da economia moçambicana”, sublinhou Foia, defendendo maior aposta na agro-indústria, energia, logística e qualificação da mão-de-obra.

O relatório critica ainda a forte dependência da economia moçambicana em relação aos megaprojectos extractivos, considerados pouco integrados no restante tecido produtivo nacional. “A indústria extractiva continua a funcionar como enclave económico, com pouca ligação aos outros sectores da economia, promovendo uma economia de duas velocidades”, afirmou. Segundo a FUNDEC, esta dependência limita a criação de emprego, reduz o efeito multiplicador interno e fragiliza a diversificação económica.

O economista-chefe da instituição alertou ainda para os impactos dos elevados custos logísticos e de energia sobre a competitividade empresarial. “Cerca de 40% a 60% dos custos dos produtos estão ligados às infra-estruturas”, referiu. O relatório destaca igualmente a forte informalidade da economia, citando dados segundo os quais 95% dos empregos formais continuam ausentes no País. No sector financeiro, o Rating Empresarial Financeiro mostrou deterioração ao longo de 2025. O indicador caiu de 46,64 pontos no primeiro trimestre para 39,8 pontos no quarto trimestre.

Segundo a FUNDEC, o comportamento do índice reflecte menor dinamismo económico, redução da confiança empresarial e restrições de liquidez. “As empresas moçambicanas sentiram forte retracção do crédito interno e permanecem vulneráveis a choques externos e internos”, afirmou Foia.

A instituição associou igualmente a deterioração do ambiente empresarial às tensões pós-eleitorais de 2024 e à recessão registada em 2025. “Tivemos três trimestres sucessivos de recessão económica e apenas um trimestre de alguma expansão”, explicou. O relatório aponta ainda que os sectores mais elegíveis ao crédito, como comércio e logística, apresentam níveis elevados de incumprimento bancário, acima do limite de 5% recomendado pelo Banco de Moçambique.

Em contraste, sectores como agricultura e indústria transformadora registam níveis de incumprimento relativamente baixos, mas continuam com acesso reduzido ao financiamento. “Os sectores essenciais têm sido marginalizados do ponto de vista de acesso ao financiamento e não há uma matriz capaz de garantir sustentabilidade e transformação dos sectores estruturantes da economia”, afirmou o economista.

Entre as principais recomendações, a FUNDEC defende reformas regulatórias e tributárias, expansão dos fundos de garantia, reforço das linhas de crédito produtivo, modernização das infra-estruturas, promoção da agro-indústria, aprofundamento da inclusão financeira e desenvolvimento do mercado de capitais. A instituição recomendou ainda a institucionalização dos indicadores ICEM e REF como instrumentos permanentes de monitorização económica e apoio à formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Durante o evento, a FUNDEC anunciou igualmente o lançamento de concursos de Jovem Empreendedor e Jornalismo Investigativo, iniciativas destinadas a estimular inovação empresarial juvenil e aprofundar a produção de conteúdos económicos especializados. “O sector privado enfrenta custos de capital extremamente elevados, energia, logística, matéria-prima e falta de confiança no mercado interno”, concluiu Clésio Foia.

Texto: Felisberto Rucoa d v e r t i s e m e n t

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