Irão. Guerra impacta economia e coloca pressão nas contas,

Em entrevista no podcast “Lusa Extra”, da agência Lusa, o professor na Universidade Católica Portuguesa e coordenador do NECEP — Católica Lisbon Forecasting Lab apontou que o efeito do conflito para economias como a europeia ou a portuguesa “vem acima de tudo por via do impacto que tem o aumento do preço do petróleo nos países que não são produtores de energia”. “Cada mês, a esses preços, pode cortar 0,1 (ponto percentual no crescimento). Então, três meses podem cortar 0,3, um ano inteiro pode cortar 1 ou 1,5 ponto, então basicamente é uma ordem de grandeza do custo direto do aumento dos preços dos combustíveis na economia”, estimou, apontando que dependerá da duração do conflito. O impacto imediato ainda não é possível ser observado nos indicadores de alta frequência, referentes ao consumo, mas o economista alertou que “mais preocupante seria uma retração até mesmo no investimento, ou seja, se as próprias empresas, diante desse ambiente e diante do potencial aumento dos custos de produção, adiarem investimentos que haviam pensado”. Isso já que o adiamento de investimentos é mais difícil de se recuperar do que a perda de consumo temporária derivada de um episódio de alta de preços, explicou. Quanto à possibilidade de uma alta de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE) para fazer frente ao aumento de preços, João Borges de Assunção considerou que esse episódio em si não parece justificar um aumento das taxas diretoras. “Até porque o efeito dessa crise, desse aumento de preços, tem uma dimensão recessiva, potencialmente, e portanto até levaria o BCE a ser mais acomodatício na sua política”, ressaltou, acrescentando que “poderia haver espaço para aproveitar essa oportunidade e repensar alguma da política energética europeia e também portuguesa e tomar decisões pontuais ou permanentes de mudança nessa estrutura de impostos associados aos bens energéticos”. O Governo já avançou com medidas para enfrentar os preços na energia, nomeadamente no ISP, que podem colocar pressão sobre o orçamento. Ainda assim, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostraram que Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da estimativa de 0,3% do Governo. Esse superávit acima do esperado “facilita” o esforço orçamentário ao dar “uma folga adicional ao Governo”, de cerca de 0,4 ponto percentual, “que é a diferença entre o que estava para 2025 no orçamento que o Governo entregou e agora o número que é revelado pelo INE”. Mesmo assim, o economista considera que Portugal “não precisa do fetiche do superávit”, precisa é “continuar a descer a dívida pública”, o que pode acontecer mesmo tendo ligeiros défices. “A estimativa no NECEP já era de que o orçamento que o Governo apresentou daria déficit, em parte por causa do financiamento dos projetos do Plano de Recuperação e Resiliência”, ressaltou, desdramatizando a possibilidade de um saldo negativo, ainda que dependendo das condições em que isso se verifica. A perspectiva de um déficit é diferente se “resultar de aumentos permanentes de despesas ou de satisfação de algumas corporações”, ou seja, “usar a desculpa das crises para fazer aumentos de despesas noutras áreas e isso sim cria problemas às finanças públicas portuguesas a prazo”, avisou. Essa despesa com medidas para fazer frente à alta de preços vem se somar aos apoios para tempestades cuja dimensão ainda é incerta. “Se for um montante volumoso, o Governo deveria apresentar, sem nenhuma preocupação, um orçamento retificativo”, argumentou. A previsão do executivo era de superávit de 0,1% do PIB neste ano, valor que pode ser revisto. Leia também: Tailândia diz ter chegado a acordo com Teerã sobre estreito de Ormuz



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