Lei da Nacionalidade “tem posto freio” a decisões de

Lei da Nacionalidade "tem posto freio" a decisões de

Criada há quatro anos, a RedBridge é uma comunidade de empreendedores, profissionais e investidores e está se consolidando como uma plataforma entre Portugal e EUA. Questionada se sente que as tensas relações geopolíticas do presidente norte-americano, Donald Trump, com a Europa, têm impacto nessa comunidade, Filipa Pinto Carvalho, que também é cofundadora da AGPC e da Here Partners e vice-presidente da ANJE, diz que não. “Do ponto de vista da comunidade em si da RedBridge não sinto que houve esse impacto, acho que até muito pelo contrário”, aponta Filipa Pinto Carvalho, que marcou presença na SIM Conference, no Porto, evento organizado pela Startup Portugal. A Redbridge “nasce para aproximar Lisboa e Silicon Valley, por isso há esta ligação muito grande à Califórnia” e “tem havido uma tendência grande de pessoas da Califórnia a vir para Portugal” que não diminuiu, refere a responsável. “Tem sido minha experiência, tanto na Redbridge quanto na AGPC, um escritório de advocacia que é, no fundo, de onde venho e o que faço, que assessora clientes estrangeiros a virem para Portugal ou investirem aqui”, explica. À pergunta o que torna Portugal atraente para os californianos, Filipa Pinto Carvalho aponta o equilíbrio “entre procurarem um estilo de vida diferente”, mas ainda estarem num lugar central a partir da qual têm ligações com as outras capitais e continuar a fazer negócio e “também existe uma atividade para aqueles que estão mais ligados ao setor das startups e da tecnologia”. Aliás, “há um sentimento de uma energia de florescimento desse ecossistema aqui em Portugal, muitas vezes me dizem que isso parece o Vale do Silício há 30 anos”, considera. Os norte-americanos começaram a vir para Portugal por terem sido “muito atraídos por políticas como o ‘golden visa’ (vistos gold), o RNH (regime de Residente Não Habitual) e acho que isso serviu como fator de despertar o interesse”. Na verdade, “eu diria até que agora vejo mais americanos realmente disponíveis para investir em startups aqui, para se envolver no ecossistema, do que talvez há alguns anos”, então “estou confiante de que este é o início de uma tendência que vai crescer”. Também o conflito no Irã não impactou a vinda de norte-americanos para Portugal, mas já as mudanças na Lei da Nacionalidade trouxeram “incertezas e insegurança”, diz. “Eu diria que esse tem sido um fator que tem colocado algum freio nas decisões de investimento”, admite Filipa Pinto Carvalho. “A minha experiência até mais com a AGPC, com o meu escritório, porque assessoramos estes clientes a fazerem um investimento aqui, uma grande fatia dos nossos clientes é dos EUA” e “existe uma frustração grande com este anúncio” das mudanças da Lei da Nacionalidade. Isso porque “há uma sensação de uma quebra do contrato que o Estado tinha com esses investidores” que mantinham residência em Portugal e “podiam ser elegíveis para a nacionalidade após cinco anos”, aponta. Agora, a nova lei ampliou o prazo. “Se esses novos investidores vão investir ou vão se retrair diante dessas mudanças, os próximos meses dirão”, aponta Filipa Pinto Carvalho. Quanto à Rebridge, a responsável ressalta que o clube vem crescendo. “Já temos casos de investimento que aconteceu entre investidores americanos investindo em projetos portugueses porque se conheceram na Redbridge”, diz. No evento anual em São Francisco deste ano, a Redbridge conta com a colaboração do cônsul de São Francisco, AICEP, Startup Portugal e Unicorn Factory e vai levar alguns founders (fundadores). Os detalhes serão divulgados em 28 de maio, quando do evento Crossing the Bridge, onde será abordado como os fundadores fazem para escalar para os EUA. ALU // EA Lusa/Fim

Publicar comentário