UGT firme contra reforma laboral, mas atual proposta é

Desconvocar greve? Governo entregou nova proposta, mas é

O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, afirmou que a proposta de reforma trabalhista na mesa era “insuficiente” para que ele pudesse dar seu apoio, mas admite que isso é “muito melhor do que a proposta de julho de 2025”. Ao final da derradeira reunião da Concertação Social, que terminou sem acordo quanto à reforma trabalhista, Mário Mourão explicou que comunicou ao governo que a UGT “não concordou com a proposta que ainda estava na mesa”. “A UGT não tem nenhuma proposta mais a fazer”, sublinhou o secretário-geral da UGT, Mário Mourão. “Hoje, ninguém apresentou propostas aqui.” Sobre a possível adesão da central sindical à greve geral, Mário Mourão garante que “ainda não estamos nessa fase”. “Não está ainda em cima da mesa essa forma de luta, da greve geral. Neste momento há ainda uma outra fase. Terminada a fase da CPCS, há a fase da discussão parlamentar e a UGT vai estar junto dos grupos parlamentares. Primeiro, vamos pedir uma reunião para transmitir onde o processo terminou e quais foram as propostas da UGT”, explicou Mário Mourão. Mário Mourão deu declarações já depois da ministra do Trabalho, que havia dito, momentos antes, que “o Governo vai naturalmente votar e aprovar algo parecido com o projeto inicial, mas obviamente enriquecido com as contribuições que considere úteis e que retirou desse processo e dos nove meses de muitas contribuições”. Nesse sentido, o secretário-geral da UGT admitiu não saber quais os “contributos” que a ministra vai decidir incluir na proposta a ser levada ao Parlamento, mas defendeu a proposta em cima da mesa hoje é “mais rica” ​​do que a inicial. “É muito melhor do que a proposta de julho de 2025”, considerou, embora a tenha classificado como “insuficiente para que a UGT pudesse dar seu apoio”. “A UGT não tinha mais propostas, elas estão todas apresentadas”, continuou. “Eu partilho da opinião do senhor primeiro-ministro. O senhor primeiro-ministro, julgo que há pouco tempo, disse que não era o fim do mundo não haver acordo. E portanto não é, as coisas vão continuar.” “A UGT não exigiu que o Governo retirasse o pacote laboral. Nunca o exigi. Disse uma vez, quando perguntaram à UGT o que era preciso para desconvocar a greve, nós dissemos: ‘Retirar o pacote laboral’. Mas nós nunca dissemos que o Governo retirasse o pacote laboral”, explicou. Mário Mourão disse ainda que o Governo foi coerente quando disse que não abriria mão das chaves mestras da proposta, porque “elas estão todas lá”. “Se isso é disponibilidade, tudo bem, é a opinião do governo”, disse. “Esse foi um processo difícil para a UGT, tentaram dividir a UGT, tentaram dizer que a UGT estava irredutível, que a UGT não queria negociar…”, frisou ainda. (Notícia atualizada às 17h45) A negociação da reforma trabalhista retornou hoje à Concertação Social, numa derradeira tentativa do Governo de chegar a um acordo e após a CIP mostrar abertura para se aproximar da UGT em algumas matérias, como o banco de horas individual. Contudo, a reunião terminou sem consenso. Tomásia Sousa | 16:43 – 07/05/2026

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