Líder da CIP diz que “políticas começam a mudar” mas é

Líder da CIP diz que "políticas começam a mudar" mas é

“Desde o ano 2000, Portugal recebeu muito e transformou muito pouco. Chegaram milhões e o crescimento foi verdadeiramente miserável”, disse hoje o presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, Armindo Monteiro, referindo-se aos fundos europeus. Armindo Monteiro, que falava em Madri, em jantar da Câmara de Comércio e Indústria Hispano-portuguesa, considerou que os fundos europeus das últimas décadas parecem ter criado dependência e “complacência nos governantes” portugueses, “que começaram a apostar mais na renovação de fundos, o chamado modelo de mão estendida, em linha com a tradição do passado, da esmola, da caridade e da misericórdia”, em vez de avançar com “políticas estruturais para desenvolver verdadeiramente o país”. “Não podemos continuar adiando o essencial e aceitando como normal uma governança de mínimos”, disse, após lembrar que os fundos europeus previsivelmente se reduzirão nos próximos anos. “Neste momento é preciso verdadeiramente mudar as coisas” e “a boa notícia hoje é que as políticas começam a mudar em Portugal”, acrescentou. Se antes “o objetivo número um, o desígnio, era ser elegível para fundos europeus”, neste momento há uma tentativa de transformação e de tentar adotar “políticas públicas para os empresários puderem fazer a sua parte”, considerou Armindo Monteiro, para quem as verbas comunitárias “reduziram o incentivo para adotar boas politicas, atrasaram reformas estruturais e essenciais e criaram uma economia politicamente dependente da redistribuição de recursos externos” em vez de tem sido orientados para a criação sustentável de riqueza. “É importante que Portugal aumente a produtividade e diversifique a economia para haver crescimento sustentável do nível de vida. Estamos neste momento a discutir uma reforma do código laboral e não conseguimos fazer isso com os sindicatos”, afirmou Armindo Monteiro, que acrescentou que “os sindicatos só querem duas coisas”: diminuir as horas de trabalho semanal e aumentar o período de férias. Segundo o presidente da CIP, a confederação assumiu o papel de “ruim de sala” e ressaltou que o que os sindicatos pedem “não é possível” sem “fazer outras coisas antes”. “Não se pode ir a isso diretamente, mas a boa notícia é que se trabalharmos juntos, se houver confiança e compromisso, conseguiremos. Mas não hoje, não amanhã, veremos em quanto tempo. Isso é diferente do país de mão estendida ou de uma estratégia política só de bem-estar para ter controle eleitoral”, afirmou. Leia Também: CIP defende que Comissão Europeia deve fechar mais acordos comerciais

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