Linha Violeta: Metro afasta ligação à investigação da UE

Linha Violeta: Metro afasta ligação à investigação da UE

A presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa, Cristina Vaz Tomé, foi ouvida hoje na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, a pedido do Chega, sobre a “nova Linha Violeta”, onde explicou que o Metro de Lisboa é “alheio ao processo que está a decorrer”. A Comissão Europeia abriu em 05 de novembro de 2025 uma investigação aprofundada para determinar se a fabricante estatal chinesa de material rodante CRRC, integrante do consórcio da Mota-Engil, teve “uma vantagem indevida” no concurso da Linha Violeta do Metro de Lisboa. “O processo está a decorrer, o Metro (de Lisboa) não é a entidade visada e não pode contactar a Comissão Europeia (CE) para dar esclarecimentos, tem de ser a CE a pedir ao Metro a informação. Somos alheios ao processo que está a decorrer”, disse Cristina Vaz Tomé, presidente do Conselho de Administração do Metro de Lisboa, em exercício de funções há cerca de três meses. A deputada do Chega Marta Silva questionou a presidente do CA do Metro sobre a “possível utilização de financiamento estatal chinês para obter vantagem num concurso público em Portugal”, nomeadamente, sobre “uma eventual existência de subvenções estrangeiras suscetíveis de terem falseado a concorrência no concurso da Linha Violeta”. Marta Silva indagou Cristina Vaz Tomé a responder “sem rodeios” se o Metro de Lisboa “sabia ou não da participação” da CRRC Tangshan no consórcio em causa no momento em que a proposta foi avaliada e que diligências realizou. “Se Bruxelas concluir que houve vantagem indevida, o metrô defenderá a suspensão ou anulação da adjudicação, sim ou não? E, segundo, está disponível para tornar públicos os procedimentos internos de avaliação e controle que sustentam essa licitação”, questionou a deputada. Cristina Vaz Tomé explicou que, após o júri do concurso ter apresentado ao CA “o relatório preliminar das propostas que foram avaliadas”, nesse mesmo dia, 10 de setembro, tiveram conhecimento que as propostas deveriam ter cumprido com um normativo da Comissão Europeia “relativo a subvenções estrangeiras que distorcem o mercado interno”. A responsável frisou que o processo está a decorrer e o organismo “nem sequer pode proativamente contactar a Comissão Europeia para prestar qualquer tipo de informação ou outro tipo de dados que possam eventualmente ser solicitados” “Esse processo está a decorrer, o metropolitano sobre essa matéria não é entidade visada. Portanto, é um processo que tem que ser a Comissão Europeia a solicitar ao Metropolitano de Lisboa a informação que ainda necessita para a investigação que está a desenrolar”, salientou. Cristina Vaz Tomé reiterou que o metro “é uma parte completamente alheia ao processo que está a decorrer”, salientando que o metropolitano não sabia e, quando é informado pela CE, solicitou aos concorrentes os documentos necessário para se iniciar o processo. “Porque há, de fato, aqui uma suspeita identificada pela Comissão Europeia de que pode haver uma possível subvenção do Estado a uma empresa subcontratada por consórcio. Não é um consórcio, mas é uma empresa subcontratada por consórcio”, explicou. A presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa também disse aos deputados que a Comissão Europeia tem até 13 de abril para se pronunciar sobre a investigação em curso e, só então, como não houve até o momento “nenhum contrato assinado”, se vai decidir se avança com o vencedor do concurso ou se será lançado um novo concurso. “Mas primeiro precisamos da decisão da Comissão Europeia e depois do júri sobre o que a empresa deve fazer”, disse. A nova Linha Violeta vai ligar Odivelas a Loures, no distrito de Lisboa, em cerca de 11,5 quilômetros de extensão e contará com um total de 17 estações (12 de superfície, três subterrâneas e duas em trincheira) e um parque de material e oficinas de apoio à operação com cerca de 3,9 hectares. No município de Loures, além do parque de material e oficinais, serão construídas nove estações que servirão as freguesias de Loures, Santo António dos Cavaleiros e Frielas, numa extensão de 6,4 km. O município de Odivelas contará com oito estações que servirão as freguesias de Póvoa de Santo Adrião e Olival de Basto, Odivelas, Ramada e Caneças numa extensão total de 5,1 km. Leia Também: Metrô de Lisboa admite falhas “críticas” em escadas e elevadores

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