Moçambique pagou 630 milhões de euros e deixou dívida com o FMI

De acordo com a atualização do FMI do total de “crédito pendente” global com a movimentação de 01 a 30 de março de 2026, no início deste período esse valor, de Moçambique, ascendia a 514.040.000 SDR (direitos de saque especiais), equivalente a 630,1 milhões de euros. Já no final desse período, o crédito pendente de Moçambique passou a zero, o único nessa situação em uma lista com 85 países. A Lusa tentou obter explicações das autoridades moçambicanas sobre esse pagamento, mas sem sucesso até o momento. Em sua mais recente avaliação ao país, divulgada em fevereiro, o FMI não antecipou decisões sobre o novo apoio a Moçambique, que o governo tenta fechar há um ano, lembrando então que o crédito pendente junto à instituição havia atingido 226% da cota. “Uma avaliação pós-financiamento está prevista para agosto de 2026”, diziam as recomendações do FMI após as consultas regulares, ao abrigo do artigo IV, realizadas em 2025, que também prevê novas consultas em 12 meses, mas não dá informação sobre a possibilidade de um novo programa com apoio financeiro, desejado por Moçambique. No documento, consta que sob o último programa ECF (Facilidade de Crédito Alargado), o FMI havia aprovado em 2022 um financiamento de cerca de 468 milhões de dólares (398,5 milhões de euros) para Moçambique. Contudo, esse programa foi suspenso em abril de 2025, quando tinham sido desembolsados cerca de 343 milhões de dólares (292 milhões de euros), em quatro tranches. Ele acrescentou que Moçambique deveria pagar ao FMI, este ano, 98 milhões de dólares (83,4 milhões de euros), e em 2027 cerca de 107,5 milhões de dólares (91,5 milhões de euros). Ainda 129,3 milhões de dólares (110 milhões de euros) em 2028 e 136,4 milhões de dólares (116,1 milhões de euros) em 2029. “Moçambique é um dos principais beneficiários da assistência técnica e do desenvolvimento de capacidades do FMI, com apoios centrados na governação, na gestão das finanças públicas, na mobilização de receitas, na gestão da riqueza proveniente dos recursos naturais, nos marcos monetários e macroprudenciais e nas estatísticas governamentais, do setor real e do setor financeiro”, apontou o relatório. O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, disse em junho passado que previa ainda em 2025 assinar um novo programa de apoio com o FMI, alinhado com a visão do atual Governo e as reformas no setor público: “Ainda ao longo deste ano (2025), se tudo correr bem, vamos assinar um novo programa que possa permitir que, com a nova visão do Governo, possamos realmente continuar uma excelente relação com o FMI”. Essas expectativas foram reforçadas nos meses seguintes e novamente já no início de 2026. O diretor-geral adjunto do FMI, Bo Li, também já havia garantido, em 17 de maio de 2025, em Maputo, que a instituição pretendia avançar com um novo programa de apoio a Moçambique. “Nossa equipe trabalhará em conjunto. Nas próximas semanas e meses discutiremos um novo programa e estamos comprometidos em apoiar a economia moçambicana para ajudar a manter a estabilidade macroeconômica e financeira”, disse Bo Li, após ser recebido por Chapo. O FMI e as autoridades moçambicanas concordaram em encerrar as consultas no âmbito do plano de ajuda anterior e iniciar negociações para desenhar um novo, divulgou a instituição financeira internacional, em 18 de abril de 2025. “Para melhor alinhar o apoio do FMI com a visão e prioridades do novo Governo, as autoridades moçambicanas pediram o início de discussões para um novo programa do FMI”, dizia o comunicado de então. O Governo moçambicano garantiu este mês que o FMI mantém “abertura” para um programa de apoio ao país com financiamento, incluindo o Orçamento do Estado. Leia Também: FMI dá 1,051 milhão ao Paquistão para proteger economia diante da crise



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