Município do Chimoio Homenageia “Pai” da Textáfrica  •

Município do Chimoio Homenageia “Pai” da Textáfrica  •

O Município de Chimoio, na província de Manica, realizou, no último sábado (14), uma cerimônia de homenagem postumamente ao industrial Manuel Magalhães, considerado “pai” da Textáfrica, que foi, por muitos anos, a principal empregadora daquela cidade do centro do País. O presidente do município, João Ferreira, citado em comunicado à imprensa, afirmou que o engenheiro Magalhães “foi um grande impulsionador do Chimoio. No auge, a Textáfrica empregava cerca de 4000 trabalhadores. Foi uma empresa que contribuiu muito para o crescimento desta cidade.” Já o filho mais velho do empresário, Manuel Pedro Magalhães, agradeceu ao município pelo gesto, aproveitando a ocasião para lembrar: “O pai nos ensinou que todos temos o direito de buscar a felicidade, mas só somos verdadeiramente felizes se todos que vivem ao nosso redor forem felizes. A Textáfrica fez isso. Fez a fábrica, deu emprego, arrumou casas. Nosso coração fica onde fizemos o bem. Continuamos vivos no coração daqueles que se lembram de nós.” Por sua vez, Frederico Magalhães, o filho caçula, destacou que a principal obra do pai não foi com o cimento ou com as máquinas, mas com as pessoas. “O cimento e as máquinas permitiram que essa fábrica gerasse riqueza para promover as pessoas, deu bolsas de estudo para que as pessoas pudessem ter uma vida melhor. Essa foi a grande obra do meu pai.” Cabe destacar que o homenageado, Manuel Albano Rooke de Lima Pereira Dias de Magalhães, natural do Porto, Portugal, especializou-se em engenharia têxtil e viajou para Moçambique aos 28 anos para construir e administrar a Textáfrica na então Vila Pery, hoje cidade do Chimoio. A partir da década de 1950, tornou-se presidente do conselho de administração da unidade fabril, tendo construído, em torno da infraestrutura, escolas, hospitais e outros serviços sociais. Na década de 1970, fundou o Grupo Desportivo e Recreativo do Textáfrica (GDRT) que foi o primeiro clube a se tornar campeão nacional de futebol pós-independência, em 1976. Já com o país independente, a pedido do então presidente Samora Machel, ajudou a construir a Texmoque, em Nampula, e a Texmanta, em Cabo Delgado, mas se retirou de Moçambique em 1987, durante a guerra civil. Em 1996, voltou com um de seus filhos e voltou a adquirir a Textáfrica, então à venda, mas a empresa fechou as portas alguns anos depois devido às políticas da liberalização econômica, associadas às imposições do Banco Mundial.

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