Muros caídos, videiras arrastadas e enoturismo afetado no

Com quinta em Mesão Frio, distrito de Vila Real, Justina Teixeira apontou para prejuízos de “largos milhares de euros” decorrentes dos vários muros e patamares que caíram em diferentes zonas” da propriedade, acrescentando depois “toda uma limitação” no negócio, quer nas atividades de enoturismo quer nos trabalhos que se deveriam estar, nesta altura do ano, a realizar. Por causa do mau tempo, a poda das videiras está parada, trabalhos na adega estão a ser afetados, como os engarrafamentos, e há vinhos para despachar, mas “nenhum caminhão consegue vir carregar na fazenda neste momento” porque a via mais direta para sua fazenda está interrompida devido ao risco de um deslizamento de terra. Justina Teixeira falou em um “prejuízo diário imenso” e exemplificou com a atividade de enoturismo, como almoços e jantares, que foram cancelados, visitas e degustações que não podem ser feitas, assim como engarrafamentos de vinhos porque o caminhão não pode fazer o transporte de garrafas, e disse ainda que os funcionários não podem usar a estrada, porque só é acessível a moradores. câmaras estão ajudando os agricultores a preencher os formulários, para reportar os prejuízos, para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR-N) e, entre testemunhos partilhados pela autarquia de Mesão Frio, está o de Hugo Pinto, proprietário de uma quinta onde terão caído “nove muros”. Citado num comunicado, este viticultor exemplificou que repor “só um dos muros, com 35 metros, ronda os 18 mil euros, a nível de mão-de-obra”. Ferreira e Lurdes Lopes, disse que o “muro de sustentação da vinha, com cerca de 40 metros de comprimento, caiu totalmente e que ainda temem novos danos. Já Manuel Pereira registrou a queda de um muro de contenção na vinha comprometendo a estabilidade de uma de suas parcelas, lembrando que os prejuízos são de cerca de 2.500 euros. Rui Soares, viticultor e presidente da Associação de Viticultores Profissionais do Douro (Prodouro), exortou os viticultores a fazerem a participação dos prejuízos na plataforma da CCDR-N, podendo depois fazer uma atualização. “Não é uma candidatura a nada, mas é essencial para que as entidades oficiais tenham a percepção da dimensão dos prejuízos e possam depois abrir linhas de apoio”, ressaltou. E, para Rui Soares, esse “apoio é fundamental”. “O setor está muito enfraquecido. Os agricultores têm vivido safras difíceis e não há, em termos de produção, meios suficientes para enfrentar esses prejuízos que as intempéries têm causado”, frisou. O oficial disse que a maioria dos agricultores não tem seguro. “Eles têm, quando muito, seguros de safra, mas que não cobrem esse tipo de prejuízo”, ressaltou. No seu caso específico, na vinha que possui em Lamego, distrito de Viseu, teve um deslizamento de terra que fez “desaparecer cerca de 2.000 metros quadrados de solo”, ao que se junta videiras arrastadas e muros caídos, com “prejuízos significativos” para a exploração agrícola. “Este ano foi catastrófico. A quantidade de água foi muito grande”, afirmou Rui Coelho, com vinha também em Lamego que aponta para “prejuízos avultados para reconstruir” em muros caídos e videiras arrancadas. Por enquanto, com as terras ensopadas, ainda é difícil fazer um levantamento exaustivo, mas, “por alto”, o viticultor aponta para “55 mil euros” para repor “mais ou menos a normalidade”. “Se o desalento do viticultor já era grande, com esses problemas de cadeia de valor da uva, com catástrofes como essa é muito animador de vender, de abandonar”, afirmou, lembrando que já são semanas seguidas de chuva intensa que têm interrompido os trabalhos na vinha, como as podas. Leia Também: Casa do Douro pede apoio urgente para todos os viticultores afetados



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