O engenheiro que fez da construtora familiar um grupo

Desde cedo preparado pelo pai para lhe suceder à frente da Mota & Companhia, António Manuel Queirós Vasconcelos da Mota começou como engenheiro estagiário em diversas direções da empresa, tendo assumido em 1981 a Direção de Produção e, em 1984, a direção-geral, após o que foi chamado para a vice-presidência executiva. Em 1995 foi nomeado presidente da empresa, tendo liderado a operação de fusão com a Engil. Manteve-se até 2023 à frente daquela que é atualmente a maior construtora portuguesa e uma das 25 maiores construtoras europeias. No âmbito do processo de transição geracional na empresa, a liderança executiva da Mota-Engil foi entretanto assumida pelo sobrinho de António Mota, Carlos Mota Santos, da terceira geração da família fundadora e que era então vice-presidente da Comissão Executiva. Em maio passado, os acionistas da Mota-Engil aprovaram a renúncia de António Mota à vice-presidência do Conselho de Administração que então passou a ocupar, o que marcou a saída do empresário da administração do grupo a que presidiu durante 28 anos. Em setembro deste ano, o empresário doou aos quatro filhos – Manuel António, Maria Sílvia, Maria Inês e Maria Luísa – 28% da ‘holding’ familiar Mota – Gestão e Participações (MGP), principal acionista da Mota-Engil. Nascido em 1954, em Amarante, António Mota era o único filho varão entre quatro irmãos e foi desde muito cedo preparado pelo pai – que tinha apenas a quarta classe – para lhe suceder à frente da construtora que fundou em 1946. Licenciou-se em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), tendo passado as férias ao longo dos vários anos do curso em estágios nas diferentes obras que a Mota & Companhia tinha em curso. Adepto do ‘low profile’, António Mota valorizava os fins de semana em família e a natureza familiar da construtora a que presidia, tendo a sua liderança ficado marcada por uma estratégia de diversificação da atividade do grupo, que apostou em novas áreas que vão desde as concessões rodoviárias às operações portuárias, resíduos, águas e logística. Atualmente presente em 21 países e três continentes (Europa, África e América), a Mota-Engil tem como principais acionistas a ‘holding’ da família Mota (MGP), com 40,19% do capital, e a Epoch Capital Investments BV, com 32,41%, e está cotada no PSI, principal índice da Euronext Lisboa. A Mota-Engil registou, nos primeiros nove meses deste ano, lucros atribuíveis ao grupo de 92 milhões de euros, um aumento de 20% em termos homólogos, tendo o volume de negócios neste período atingido os 4.090 milhões de euros, uma queda de 1,4% face ao mesmo período do ano anterior. Leia Também: Pinto Luz destaca “relevância para a economia nacional” de António Mota



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