PAM Alerta Que “Conjugação de Choques” Pode Agravar
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O Programa Alimentar Mundial (PAM) alertou que a conjugação de choques climáticos, conflitos armados e esgotamento das reservas alimentares ameaçam agravar a insegurança alimentar em Moçambique, havendo mais de 4,3 milhões de pessoas com necessidades humanitárias e de protecção urgente.
De acordo com o mais recente relatório operacional daquela agência das Nações Unidas, os eventos climáticos extremos como a seca e os ciclones lideram o número de afectados, com cerca de 3,5 milhões de pessoas, além do conflito armado no Norte do País, com mais de 763 mil pessoas.
“Durante o primeiro semestre de 2025, a insegurança em Cabo Delgado deteriorou-se ainda mais, com ataques intensificados por parte de grupos armados não estatais, deslocando mais de 48 mil pessoas desde Janeiro até ao início de Julho”, avança o documento divulgado pela Lusa.
Segundo o PAM, o cenário marca a continuação da volátil situação da segurança no Norte do País, agravando as vulnerabilidades humanitárias e sobrecarregando as capacidades de resposta locais, numa altura em que os recursos continuam a reduzir, acrescentando que “Moçambique está na lista dos países africanos mais expostos a choques climáticos extremos, com os efeitos da seca induzida pelo ‘El Niño’ a afectarem muitas comunidades.”
“Muitas áreas nas regiões Centro e Norte do País enfrentam longos períodos sem chuva significativa, com temperaturas em algumas partes muito acima da média sazonal, prejudicando gravemente a sementeira e a colheita, acelerando o esgotamento dos ‘stocks’ alimentares e levando as famílias rurais a níveis mais profundos de vulnerabilidade”, destacou.
A entidade acrescentou ainda que a época ciclónica 2024-25 em Moçambique foi “excepcionalmente intensa” com o registo de três grandes ciclones tropicais, num intervalo de três meses, que deixaram um rasto de destruição, principalmente em Cabo Delgado e Nampula, “interrompendo gravemente os meios de subsistência e a produção agrícola”, concluiu.
Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado, província rica em gás natural, enfrenta uma rebelião armada que já provocou milhares de mortos e gerou uma crise humanitária, resultando em mais de um milhão de deslocados internos.
Só em 2024, pelo menos 349 pessoas morreram em ataques perpetrados por grupos extremistas islâmicos na província, representando um aumento de 36% face ao ano anterior, segundo dados divulgados recentemente pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS), uma instituição académica do Departamento de Defesa do Governo norte-americano especializada na análise de conflitos em África.
Na passada época chuvosa que decorreu entre Outubro e Abril, além do ciclone Chido, que atingiu o País em 14 de Dezembro, registaram-se ainda os ciclones Dikeledi, a 13 de Janeiro, e Jude, a 10 de Março, totalizando estes três cerca de 170 mortos.
O ciclone Jude entrou no País através do distrito de Mossuril, tendo feito, pelo menos, 43 mortos, dos quais 41 em Nampula, afectando ainda Tete, Manica, Zambézia, Niassa e Cabo Delgado. A última actualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) apontava para, pelo menos, 384 mil afectados.
O fenómeno climático causou também danos significativos em infra-estruturas públicas e privadas, incluindo 81 unidades sanitárias, 15 edifícios públicos, 20 pontes, 43 aquedutos e 101 239 áreas agrícolas comprometidas, abrangendo 4146 agricultores.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.a d v e r t i s e m e n t



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