Peso do turismo em Moçambique caiu para 3,61% com violência

De acordo com dados da Conta Satélite de Turismo de 2024, do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Moçambique, esse peso atingiu 4,02% do PIB em 2023 e 4,00% em 2022, após 2,46% em 2021. Aponta que o Valor Acrescentado Bruto Direto do Turismo (VABDT) do turismo em Moçambique atingiu em 2024 os 52.403 milhões de meticais (694 milhões de euros), recuando em relação aos 53.784 milhões de meticais (712,2 milhões de euros). “A redução do peso relativo do VABDT no PIB, entre 2024 e 2023, reflete a dinâmica da redução nas atividades características do turismo durante este período, associadas à instabilidade política que afetou este setor, principalmente no quarto trimestre de 2024, tendo se situado a 3,61% do total da economia”, diz o documento. A Lusa informou em 12 de fevereiro que o fluxo de turistas em Moçambique aumentou para 1,27 milhão de turistas em 2025, traduzindo-se em um aumento de quase 15% em um ano. Segundo o ministro da Economia, Basílio Muhate, citado em informação daquele ministério, Moçambique registrou um fluxo de 1,09 milhão de turistas em 2024, um “indicador que reflete a retomada consistente e a crescente robustez do setor”. Esse crescimento foi registrado em um ano ainda fortemente marcado, de janeiro a março, pelos protestos pós-eleitorais, que desde outubro de 2024 causaram mais de 400 mortes e destruição de empresas e infraestruturas públicas. A Lusa também informou em fevereiro que o número de turistas estrangeiros em hotéis em Moçambique mais que triplicou em cinco anos, para quase 760 mil em 2024, segundo dados do INE. De acordo com o anuário estatístico do INE relativo a 2024, recentemente concluído, os hóspedes estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros do país passaram de 216.297 em 2020 para 757.458 em 2024, período que abrange as alterações legais que isentaram de vistos turistas de 29 países. A província de Inhambane, no sul, considerada a mais turística do país, recebeu em 2024 um total de 170.292 turistas estrangeiros, mas esse movimento se concentrou na área da capital, com 220.500 estrangeiros nos hotéis da província de Maputo, mais 179.587 na cidade de Maputo. Já o número de hóspedes moçambicanos nos hotéis do país recuou 18%, de 1.336.088, em 2020, para 1.097.864, em 2024. O Governo moçambicano lançou em fevereiro um novo portal para registro de vistos de turismo ‘online’, em https://evisa.gov.mz, após suspender o pré-registro obrigatório em maio de 2025 por problemas técnicos no sistema. “Através desta plataforma, todos aqueles que desejam visitar Moçambique podem agora fazê-lo, aplicando (o pedido prévio) para ter autorização para viajar para Moçambique, obtendo o visto ‘online'”, anunciou o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga. “Queremos, por esse meio, dar o primeiro passo para permitir que Moçambique seja de fato um destino turístico, atrativo, visitado por todos, e simplificar o processo de obtenção dessa autorização”, acrescentou o ministro, ao apresentar a plataforma. O Serviço Nacional de Migração (Senami) suspendeu, em 19 de maio de 2025, a obrigatoriedade de comunicação de entrada em Moçambique a turistas de 29 países isentos de visto com 48 horas de antecedência, medida inicialmente anunciada um mês antes. Em abril de 2025 a medida gerou preocupação imediata nos agentes de viagens, dada a ausência dessa imposição desde o início da isenção de vistos para turistas desses países, incluindo Portugal, em maio de 2023. Moçambique introduziu em dezembro de 2022 o Visto Eletrônico (e? Visa) e, em maio seguinte, a isenção de vistos para cidadãos de 29 países, simplificando ainda a concessão de vistos de investimentos para períodos maiores a estrangeiros. Leia também: Conflito no Irã deixa centenas de viajantes retidos, dizem agências



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