Portugal com alta sinistralidade no conjunto da UE, diz

“Segundo dados consolidados em 30 de julho de 2025, ocorreram 184.607 acidentes de trabalho, dos quais 136 foram fatais”, disse a ministra da tutela, ao abrir a sessão comemorativa do Dia Nacional da Prevenção e Segurança no Trabalho, em Lisboa. Em Portugal, a probabilidade de um trabalhador sofrer um acidente de trabalho continua “quase o dobro da média” dos países da UE, disse. “Isso pode ser profundamente alterado pela chamada economia digital”, considerou a ministra, lembrando que a transição digital acarreta mudanças em termos do local onde se trabalha. “Muitas vezes pode ser longe das instalações da empresa e portanto mais difícil de controlar e de estabelecer os parâmetros mínimos dos instrumentos de trabalho e dos equipamentos”, especificou A transição digital altera também a forma como se trabalha, em termos de horários e de pausas, prosseguiu a ministra do Trabalho, ao classificar a nova realidade como “um desafio sem precedentes”. “Podemos estar trabalhando em outra ponta do globo e aí como controlar se descansamos ou não descansamos?, É uma coisa tão simples assim”, afirmou. “Já se falava de estresse e burnout, agora se fala de estresse e tecno estresse, de estresse ligado à dependência constante do celular, do computador permanentemente ligado”, acrescentou. Maria do Rosário Ramalho destacou ainda que a atividade de fiscalização tradicional tem que se reinventar diante do teletrabalho, do trabalho nômade, em plataformas digitais, entre tantas outras novas formas de trabalho propiciadas pelas tecnologias digitais. “Estamos diante de uma nova conjuntura, aqui como em outras áreas do sistema de trabalho. Estamos diante de novos desafios e, portanto, temos que ter uma abordagem diferente, uma abordagem nacional, temos um problema nacional aqui”, disse. A ministra lembrou que foi aprovada neste mês a Estratégia Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho 2026-2027, publicada na segunda-feira. O objetivo, ressaltou, é reforçar a prevenção, a proteção e a promoção da segurança, da saúde física e mental, do bem-estar no trabalho. A ministra anunciou, nesse sentido, que será realizado um levantamento nacional sobre as condições de trabalho neste ano. “Os números em Portugal mostram que ainda há muito a fazer nessa área, que não basta repetir fórmulas e atuações, temos que nos adaptar à realidade do trabalho no século XXI”, defendeu. Leia Também: Lei trabalhista? Governo aguardará “serenamente” posição final da UGT



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