Portugal deve estar preparado para catástrofes, diz Banco de

Em Leiria, onde participou da conferência sobre “Economia, Risco e Resiliência Depois da Tempestade Kristin”, Álvaro Santos Pereira ressaltou que as mudanças climáticas representam um risco para a economia e para o sistema financeiro, por isso é preciso “preparar e planejar o futuro”. Em sua comunicação, que encerrou a iniciativa promovida pelo município de Leiria, o ex-ministro da Economia no tempo da ‘troika’ frisou que as tempestades que assolaram Portugal em janeiro e fevereiro causaram graves perdas econômicas, que podem “aumentar o risco de crédito no setor bancário”. Segundo Álvaro Santos Pereira, em dezembro de 2025, as empresas dos municípios mais afetados tinham R$ 28 bilhões de empréstimo e as pessoas físicas R$ 20,8 bilhões de empréstimo imobiliário, sendo R$ 15,8 bilhões para moradia própria e permanente. O governador do Banco de Portugal (BdP) disse que, de imediato, tempestades como a Kristin têm impacto na ruptura da atividade, afetando o Produto Interno Bruto e a inflação, além de danos materiais em infraestruturas, edifícios e equipamentos. No médio prazo, poderá causar perda de capacidade produtiva e fechamento de empresas. Álvaro Santos Pereira defendeu um país mais resiliente, capaz de responder a eventos extremos “cada vez mais frequentes e intensos”, como tempestades e incêndios florestais. Para o governador, Portugal tem de ser capaz de “avaliar riscos, planear e diversificar” e passar de uma sociedade reativa para preventiva, retirando lições dos últimos eventos como a tempestade Kristin, o apagão elétrico de 2025 ou os incêndios de 2017. “Sociedades que planeiam e se preparam para diversas eventualidades e cenários são mais resilientes e robustas”, sublinhou Álvaro Santos Pereira, defendendo também que os custos de adaptação às alterações climáticas “devem ser devidamente estimados e integrados nas análises de sustentabilidade da dívida”. Para o ex-ministro, as populações “não podem ficar esquecidas e é preciso continuar acompanhando a recuperação das áreas afetadas e monitorando os impactos econômicos”, sendo “imperativo” corrigir falhas detectadas nos sistemas e infraestruturas. Ele também defendeu que Portugal deve diversificar suas fontes de energia para enfrentar os riscos das relações comerciais, em um “contexto internacional, com altas tensões e conflitos geopolíticos”. A conferência “Economia, Risco e Resiliência Depois da Tempestade Kristin” aconteceu durante a tarde de hoje no Teatro Miguel Franco, dividida em três painéis, que abordaram “Risco climático e impacto econômico”, “Estabilidade financeira e resposta imediata” e “Reconstrução competitiva e execução estruturada”. Leia Também: Governador do BdP diz que é “prematuro” especular sobre possível alta de juros



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