Portugal pode ter “alguma margem de manobra” para lidar com

“No que diz respeito especificamente a Portugal, o país tem, em geral, uma posição fiscal sólida, tendo inclusive registrado um superávit orçamentário no ano passado. Portanto, pode haver alguma margem de manobra”, disse Valdis Dombrovskis, em audiência da comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas. Ainda assim, o responsável apontou que as medidas adotadas no país e em todos da União Europeia (UE) para responder aos impactos econômicos da guerra no Irã devem ser “temporárias e direcionadas, para terem maior eficiência e também para mitigar o impacto orçamentário”. Valdis Dombrovskis admitiu que “o primeiro canal pelo qual a crise energética ou as disrupções no fornecimento se fazem sentir é através da energia e, não menos importante, dos preços dos combustíveis, e depois esses impactos vão-se propagando para a economia em geral”. “E, obviamente, sempre que enfrentamos um período de inflação alta, isso tem um efeito negativo sobre o poder de compra”, por isso é “importante que abordemos e também consigamos reduzir a inflação o mais rápido possível”, apelou, falando em medidas como a redução da tributação. O comissário europeu da Economia respondia à eurodeputada bloquista, Catarina Martins, que na sua intervenção apontou que “o custo de vida atingiu esta semana um recorde” já que “nunca o cabaz de produtos essenciais em Portugal esteve tão caro” e que “há pessoas que não conseguem verdadeiramente pôr combustível no carro”. Uma análise de cenários realizada pela Comissão Europeia aponta que, diante de uma curta duração da crise energética, o crescimento da UE pode ficar de 0,2 a 0,4 pontos percentuais abaixo do previsto nas previsões econômicas de outono, divulgadas em novembro passado. Por sua vez, a inflação poderá subir até um ponto percentual. Se as disrupções no fornecimento de energia forem mais prolongadas ou graves, o impacto será maior, de acordo com Bruxelas, que prevê que o crescimento poderá recuar 0,4 a 0,6 pontos percentuais, e a inflação aumentar entre 1,1 e 1,5 pontos percentuais, tanto em 2026 como em 2027. Os impactos orçamentais serão avaliados nas previsões econômicas que serão divulgadas pelo executivo comunitário em 21 de maio e no pacote de primavera do semestre europeu publicado em 03 de junho. O conflito começou em 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, que retaliou com mísseis e drones, bem como com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, importante rota do petróleo mundial. Tal bloqueio causou forte alta nos preços de petróleo e gás, gerando volatilidade nos mercados de energia. Os efeitos econômicos globais também vêm incluindo pressão inflacionária, aumento dos custos de transporte e logística e instabilidade nos mercados financeiros. Após mais de um mês de confrontos, o cessar-fogo provisório anunciado na quarta-feira trouxe algum alívio, mas a incerteza geopolítica e os impactos sobre cadeias de abastecimento e preços de energia devem persistir nos próximos meses. Leia Também: Portugal recebe recado para reduzir carga tributária em salários mais baixos



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