Preços no consumidor na China sobem em outubro pela 1.ª vez

O índice de preços no consumidor (IPC), divulgado pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) chinês, registou no mês passado um subida homóloga de 0,2%.
O índice, o principal indicador da inflação na China, não apresentava uma subida em termos anuais desde junho.
Em seis dos nove meses deste ano, o IPC na China foi negativo, tendo recuperado apenas em janeiro (mais 0,5%) e junho (mais 0,1%). A queda mais acentuada ocorreu em fevereiro (menos 0,7%).
O aumento do mês passado, o segundo maior do ano, superou as expetativas dos analistas, que previam que o indicador mantivesse inalterado (0%) em comparação com outubro de 2024.
O NBS divulgou também o Índice de Preços no Produtor (IPP), que mede os preços industriais. Apesar da tendência negativa que se mantém há dois anos, o IPP registou a menor queda desde agosto de 2024, recuando 2,1%.
A segunda maior economia mundial enfrenta há mais de dois anos pressões deflacionistas, com a fraca procura interna e o excesso de capacidade industrial a penalizarem os preços, enquanto a incerteza no comércio internacional dificulta o escoamento de produtos por parte dos fornecedores.
A deflação consiste numa queda dos preços ao longo do tempo, por oposição a uma subida (inflação). O fenómeno reflete debilidade no consumo doméstico e investimento e é particularmente perigoso, já que uma queda no preço dos ativos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias.
Outro dos efeitos é o de levar ao adiamento das decisões de consumo e investimento em resultado de expectativas de preços mais baixos no futuro, podendo criar uma espiral descendente de preços e procura difícil de inverter, afetando a economia por inteiro.
A queda dos preços começou em 2022, com a desvalorização do ativo mais importante na China: o imobiliário residencial. A queda no preço dos imóveis levou a uma quebra da confiança das famílias, resultando numa contração do consumo. Isto, aliado ao excesso de capacidade de produção do país veio fomentar uma guerra de preços entre fabricantes e retalhistas, suscitando uma espiral deflacionista.
Pequim tomou, entretanto, medidas para pôr fim à guerra de preços. O Partido Comunista Chinês prometeu ainda, em julho, combater a “concorrência irracional” em diversos setores.
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