Presidente do TdC alerta para instrumentalização política da

Filipa Urbano Calvão apontou que fatores como a desigualdade no acesso à educação, nos níveis de literacia económica e financeira, a complexidade técnica de muitos domínios da política pública e os incentivos das plataformas digitais “criam um terreno fértil para leituras distorcidas”, em intervenção na conferência “Transparência orçamental em tempos de desinformação: o papel das Instituições Orçamentais Independentes (IFI)”, promovida pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP), em Lisboa. A responsável identificou riscos como a “simplificação abusiva de dados orçamentários”, que retirados de um quadro mais amplo podem sustentar conclusões equivocadas, bem como a “instrumentalização política da informação transparente”. “Dados e indicadores corretos podem ser usados para sustentar narrativas que apoiam e narrativas que contestam regras fiscais, que fundamentam ou que minam reformas estruturais, que apoiam ou que questionam princípios de sustentabilidade, omitindo deliberadamente os pressupostos técnicos subjacentes”, advertiu a presidente do TdC. Nesse contexto, ele defendeu a importância do papel de instituições como o CFP e o TdC, bem como a responsabilidade para que as mensagens sejam “compreendidas, reconhecidas e valorizadas por cidadãos”. Entre as medidas que podem contribuir para essa dinâmica e a confiança dos cidadãos, Filipa Urbano Calvão destacou a promoção da literacia financeira nas escolas, o reforço da presença em canais digitais, a interação proativa com os órgãos de comunicação social e a explicitação acessível das análises produzidas. Leia Também: Tribunal de Contas dá parecer positivo à conta da Assembleia Legislativa



Publicar comentário