Quase 41% das mulheres trabalhava por turnos ou ao fim de

“Além de longos, os horários de trabalho praticados em Portugal são altamente desregulados, tendo vindo a aumentar o número de trabalhadoras e trabalhadores submetidos à desorganização das suas vidas”, aponta um estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher. Com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a CGTP assinala, que, no ano passado, “mais de um milhão e 900 mil trabalhadores por conta de outrem em Portugal trabalhavam por turnos, ao serão, à noite, ao sábado ou domingo ou numa combinação destes tipos de horários em 2025”, o que correspondia a 43% dos assalariados. A força de trabalho feminina representava cerca de metade (48%) dos trabalhadores com esse tipo de jornada, e no ano passado havia 931,3 mil mulheres com algum desse tipo de jornada, o equivalente a quase 41% das mulheres assalariadas. “Muitas acumulam vários desses horários”, alerta a central sindical liderada por Tiago Oliveira, observando que “trabalhavam no sábado 780 mil mulheres, 530 mil no domingo, cerca de 470 mil no serão, cerca de 354 mil por turnos e 170,5 mil à noite”. Ainda de acordo com a análise da CGTP, e com base nos quadros de pessoal do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, em 2024 “perto de um milhão e 300 mil trabalhadoras por conta de outrem do setor privado e do setor empresarial do Estado” estavam sujeitas “à desregulação dos seus horários de trabalho” através de vários regimes, nomeadamente através dos vários regimes de adaptabilidade (68,8%), dos bancos de horas (4,7%), da isenção de horário (3,6%) e dos horários concentrados (2,2%), enumera. Por sua vez, “apenas 338 mil trabalhadoras (20,7% do total)” tinham horário regular, aponta a central sindical, ressaltando que esse valor tem “caído em relação aos 21,6% em 2018”. Diante desses dados, a CGTP alerta que “Portugal continua nos lugares de topo dos países da União Europeia onde se trabalha habitualmente mais horas por semana em tempo integral” e ressalta que, apesar da “duração habitual” do trabalho nas mulheres ser de 40 horas em todos os setores é sobre estas “que recai a maioria das tarefas domésticas e cuidados familiares”. Este é o terceiro estudo divulgado pela CGTP sobre a situação atual da mulher no trabalho, no âmbito da semana da igualdade, que se realiza entre 02 e 08 de março, sob lema “A Igualdade que Abril abriu. Reforçar Direitos. Cumprir a Constituição”, com iniciativas em todo o país. O Dia Internacional da Mulher é comemorado em 08 de março. Leia Também: Um quarto das mulheres trabalhadoras tinha vínculos precários em 2024



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