Rendimento dos títulos da dívida do Japão num nível mais

O governador do banco central do Japão, Kazuo Ueda, desencadeou na segunda-feira especulações sobre um eventual aumento das taxas, ao sugerir num discurso perante líderes empresariais que as condições económicas são propícias para continuar com a normalização da política monetária, que o organismo suspendeu em janeiro para avaliar o impacto das novas tarifas dos Estados Unidos. Sem antecipar o resultado da próxima reunião sobre política monetária do BoJ, em meados deste mês, Ueda disse que “ajustar adequadamente o nível de flexibilização monetária, nem muito tarde nem muito cedo, é necessário para alcançar sem problemas o objetivo de estabilidade de preços, garantindo ao mesmo tempo a estabilidade dos mercados financeiros e de capitais”. As palavras provocaram fortes quedas na Bolsa de Tóquio e os títulos da dívida, que vinham já a registar máximos desde a crise financeira de 2008 devido à preocupação com a saúde fiscal do arquipélago, dispararam. Aconteceram também depois do anúncio do novo Executivo nipónico da primeira-ministra Sanae Takaichi, na passada quinta-feira, do projeto para o esperado orçamento suplementar de 2025, avaliado em 18,3 biliões de ienes (mais de 100 mil milhões de euros), que será financiado em grande parte com a emissão de títulos do Estado, e destinado sobretudo a um ambicioso pacote de estímulos. O BoJ é, de longe, o maior investidor em títulos do país mais endividado entre as economias mais avançadas, cujo rendimento é barómetro por excelência sobre as taxas de longo prazo. O banco central manteve as taxas de juro de referência em 0,5% nas últimas seis reuniões sobre política monetária, desde o aumento de 25 pontos base em janeiro. A última reunião do ano gerou grande expectativa, depois da mudança de Governo no Japão, em outubro, mas o BoJ manteve uma postura cautelosa, antes de conhecer a posição financeira da nova primeira-ministra – que se mostrou crítica em relação à subida dos juros – e também de ter uma visão estabilizada sobre as negociações tarifárias com os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Japão, depois da China. Leia Também: Seul afirma que não deve tomar partido nos diferendos entre China e Japão



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