S&P deve manter ‘rating’ de Portugal após duas subidas,

Em 29 de agosto, a S&P melhorou a classificação de Portugal para ‘A +’, com a perspectiva passando de positiva para estável. “Desde então, os dados macroeconômicos têm mantido uma trajetória consistente com esse nível de classificação, mas sem mudanças suficientemente disruptivas que, de saída, imponham uma nova revisão imediata”, observou João Cruz, analista de mercados da Xtb, à Lusa. O analista também lembrou que a S&P já realizou “melhorias consecutivas em um período relativamente curto (‘A-‘ -> ‘A’ -> ‘A+’), e as agências tendem a avaliar a persistência das métricas antes de avançar com novos ‘upgrades’ (melhorias)”. “Embora a trajetória da dívida continue descendente e o quadro fiscal permaneça disciplinado, o crescimento é moderado e o contexto externo mantém algum grau de incerteza, o que poderia justificar uma postura de continuidade nesta revisão”, concluiu. Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa, também indicou à Lusa, que após duas altas consecutivas em 2025, é “mais provável a manutenção do ‘rating’ em A+, uma vez que a S&P tenderá a privilegiar a confirmação da sustentabilidade dos progressos já observados, em particular na frente orçamental, na trajetória da dívida pública e na resiliência económica”. Já no que diz respeito à perspectiva, “a manutenção de ‘outlook’ estável aparece como o cenário mais consistente, refletindo continuidade macroeconômica e ausência de desequilíbrios emergentes”, sinalizou João Cruz. Filipe Silva concordou que a perspectiva deve continuar, e a S&P “deve acompanhar de perto a execução orçamentária, a capacidade do governo de preservar a estabilidade política e o ritmo das reformas estruturais, ao mesmo tempo em que avalia o impacto de fatores geopolíticos globais e possíveis tarifas sobre o crescimento econômico”. “Portugal tem demonstrado resiliência econômica, um contínuo desalavancamento externo e uma trajetória de queda da dívida pública, fatores que sustentam essa avaliação”, considerou o analista. O ‘rating’ é uma avaliação atribuída pelas agências de classificação financeira, com grande impacto para o financiamento de países e empresas, uma vez que avalia o risco de crédito. Esta é a segunda avaliação da dívida soberana portuguesa neste ano, depois de a DBRS, em janeiro, ter mantido o ‘rating’ de Portugal com a perspectiva estável. Já na próxima semana será a vez da Fitch analisar Portugal, cuja última avaliação foi em setembro de 2025, quando elevou o ‘rating’ de Portugal para ‘A’ com perspectiva estável. Leia Também: Standard & Poor’s melhora ‘rating’ de Cabo Verde para B+



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