Saída da Ryanair é “preocupante”, mas Açores mantêm

Para Carlos Moura, a saída da Ryanair do mercado dos Açores “é muito preocupante para a atividade turística e, em particular, para os setores representados pela AHRESP, o alojamento turístico e a restauração”. “Esta situação tem um impacto estrutural numa região onde o turismo tem uma forte representatividade e onde a conectividade aérea é, literalmente, uma condição de sobrevivência económica”, disse Carlos Moura à agência Lusa. A companhia aérea de baixo custo Ryanair abandonou a operação nos Açores em 29 de março, devido ao que considerou “altas taxas aeroportuárias” e “inação” do Governo português. Segundo o porta-voz da AHRESP, entre abril de 2015 e dezembro de 2024, a Ryanair representou cerca de 20% de participação de mercado no Aeroporto de Ponta Delgada, sendo a terceira companhia com maior presença na região, depois da Azores Airlines (34,4%) e da SATA Air Açores (29,3%). Com sua saída, estima-se uma perda de cerca de 400 mil passageiros anuais e pelo menos 130 mil assentos na alta temporada (julho/agosto), segundo a AHRESP. Carlos Moura disse que os impactos são sentidos em três eixos interdependentes, sendo o primeiro a mobilidade, já que “qualquer constrangimento na conectividade se traduz rapidamente em menor demanda turística, com efeitos em cadeia sobre o alojamento, a restauração, a animação e o comércio local”. O segundo eixo é o do preço, já que sem essa oferta ‘low cost’, os preços médios das viagens “tendem a subir substancialmente, dependendo da origem, da companhia e da época”. Carlos Moura apontou, por outro lado, que a atividade turística dos Açores manteve um “desempenho globalmente positivo em 2025, com cerca de 1 milhão de hóspedes e 3,1 milhões de dormidas”. “Ainda assim, os ritmos de crescimento ficaram abaixo dos registrados em 2024. Além disso, a demanda de alguns mercados internacionais chave registrou oscilações negativas: o mercado espanhol recuou 2% em pernoites e o francês 1%. Mesmo os EUA, responsáveis por 17% das pernoites, cresceram apenas 1,8% versus 17,4% no ano anterior. Esse contexto de desaceleração torna a saída da Ryanair ainda mais preocupante, ao retirar um ativo fundamental de competitividade do destino”, acrescentou. Atualmente, cerca de 15 companhias aéreas operam para os Açores, com conexões de 30 aeroportos em todo o mundo. Carlos Moura considerou que o “futuro imediato dependerá em grande parte da capacidade de resposta das entidades públicas e dos operadores aéreos”. “É fundamental garantir uma intervenção rápida e eficaz, que passe pelo reforço de operação por parte da TAP e da SATA/Azores Airlines, quer em número de voos, quer em competitividade tarifária, e pela atração de novos operadores, incluindo no segmento ‘low cost, que era o que a Ryanair garantia”, afirmou o responsável da ARESP. Carlos Moura afirmou ainda que os Açores “continuam a ser um destino com enorme potencial e uma atratividade reconhecida internacionalmente”, mas sua competitividade “é diretamente dependente da conectividade aérea”. “Sem soluções rápidas que garantam acessibilidade, em frequência e em preço, os setores representados pela AHRESP “enfrentam um período de maior pressão, com impactos reais na dinâmica econômica do arquipélago”, disse. Leia Também: Mônica Sintra volta ao passado e relembra os tempos de bombeira



Publicar comentário