Tempestade: Empresários de Leiria perguntam por entidades

Tempestade: Empresários de Leiria perguntam por entidades

“Não é aceitável que infraestruturas tão críticas falhem como falharam. A E-Redes e várias operadoras de comunicações não responderam à altura da responsabilidade que têm perante os cidadãos e empresas”, afirmou Luís Febra numa sessão de apresentação e esclarecimento das medidas de apoio às empresas afetadas pelo mau tempo, na sede da associação, em Leiria. Sublinhando que “empresas paradas significam salários em risco, exportações comprometidas e confiança abalada”, Luís Febra declarou ser “legítimo perguntar onde estavam as entidades reguladoras”. “Não é o papel delas proteger o interesse público?”, perguntou, respondendo que “não existem para assistir, passivamente, às falhas que fragilizam” o tecido económico. O empresário considerou que, 15 dias após a depressão Kristin ter atingido a região de Leiria, o momento é de urgência. “O tempo é hoje o nosso maior inimigo. Cada dia que passa representa perda de mercado e mercado perdido é, rapidamente, substituído por concorrentes internacionais”, observou, notando que as empresas exportadoras “não concorrem apenas com o vizinho do lado, competem com o mundo”. Nesse sentido, Luís Febra salientou que “se os recursos não chegarem com rapidez, o impacto será real nas exportações e poderá traduzir-se em muito desemprego”. “E nós isso não vamos permitir”, afiançou, garantindo também que a NERLEI CCI e outras associações regionais estão “totalmente disponíveis, interessadas e comprometidas para trabalhar com a Estrutura de Missão (para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin) e com todas as entidades públicas” na estruturação e facilitação dos apoios às empresas. De acordo com o empresário, a função das associações é “alinhar recursos com as necessidades reais” ou, por outras palavras, “simplificar, acelerar e resolver”. “Propomos, por isso, que o apoio às empresas, seja centrado na Estrutura de Missão, que funcione como uma porta única de acesso simples e objetivo, um ponto de contacto claro, eficaz e orientado para soluções”, defendeu Luís Febra. O dirigente alertou que “as empresas não podem andar perdidas entre plataformas, formulários e interpretações divergentes”, mas precisam de clareza, rapidez e confiança. Já no que se refere às Agendas Mobilizadoras, salientou que não se pode “permitir que resultados estratégicos para o país fiquem comprometidos porque uma empresa afetada por esta tempestade não consegue cumprir os prazos ou os investimentos”. “Isso exigirá flexibilidade e inteligência institucional”, pediu. Reconhecendo o esforço coletivo para a reconstrução, o presidente da NERLEI CCI, com cerca de mil associados, asseverou que a região de Leiria “tem uma enorme capacidade de resiliência”, mas “a resiliência precisa de organização, liderança e ação”. As Agendas Mobilizadoras e Agendas Verdes para a Inovação Empresarial são investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência. São projetos em parceria entre empresas, universidades, centros tecnológicos e entidades públicas. Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas. O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros. Leia Também: Sucessão da MAI? “Oportunamente falaremos sobre isso”, diz Montenegro

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