Trabalhadores do Bingo da Amadora com futuro incerto

Os trabalhadores estão preocupados, uma vez que dizem não ter qualquer informação oficial, nem da empresa concessionária, nem do Governo, sobre se os seus postos de trabalho se irão manter a partir de quarta-feira. “Estamos a três dias do término da atual concessão, e não há nenhuma decisão da tutela sobre a manutenção da atual concessão ou sobre o lançamento de um novo concurso”, afirmou à Lusa Luís Baptista, do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul. Os trabalhadores concentraram-se hoje em frente à Secretaria de Estado do Turismo e foram recebidos pela chefe de gabinete do secretário de Estado, Pedro Machado, mas saíram ainda mais apreensivos do que entraram, porque “a situação não é nada boa”. “Foi-nos dito que, muito provavelmente, a atual empresa não reúne as condições para que haja uma prorrogação da atual concessão”, disse. Segundo o sindicalista, neste encontro foi confirmado que grande parte dos concessionários não paga os devidos impostos relacionados com a lei do jogo, existindo “um enorme volume de dívida” das salas de bingo ao Estado, situação com a qual “a tutela não pode continuar a compactuar”. “E isso tem a consequência de que, muito provavelmente, muitas das empresas que hoje exploram as atuais concessões não verão as suas concessões prolongadas”, explicou. Luís Baptista destacou que existe “uma enorme preocupação do que é que vai ser feito às centenas de trabalhadores que ainda hoje trabalham nos bingos”. “Uma coisa é certa, os trabalhadores, no dia 19 (quarta-feira), vão apresentar-se ao trabalho, porque estão disponíveis para trabalhar”, afirmou. Segundo o sindicalista, além do da Amadora, estão em funcionamento mais cinco concessões de bingo em Portugal, na Trindade (Porto), na Nazaré, o Panda e o Belenenses (ambos em Lisboa), e o da Amora (Seixal). Existem ainda salas de bingo que, apesar de terem concessões atribuídas pelo Estado, estão encerradas. “É hoje um setor bastante pequeno, mas que gera receitas de milhões de euros. No terceiro trimestre nós falamos já de mais de 22 milhões de euros faturados por estes seis bingos”, considerou, salientando que “não é por falta de dinheiro que os impostos não são pagos”. No mês passado, o Bingo da Amadora gerou “só com a receita de jogo cerca de 450 mil euros, a que se tem de juntar a receita de bar, que é também uma receita importante que não entra para esta receita de jogo”, acrescentou. Alguns destes trabalhadores da Amadora têm muitos anos de casa e já transitaram do anterior Bingo do Estrela da Amadora, que teve um processo de insolvência e fechou em 2014. A empresa também não comunicou nenhuma informação oficial aos funcionários, nem internamente nem através dos seus representantes sindicais. Os trabalhadores do Bingo da Amadora vão realizar um plenário na próxima segunda-feira e também participar numa nova concentração à porta da Secretaria de Estado do Turismo na terça-feira, “para novamente denunciar a situação em que se encontram”. Leia Também: Trabalhadores das Lajes recorreram ao adiantamento de salários em atraso



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