Venezuela: Repsol prepara-se para retomar operações (e

O CEO da multinacional espanhola Repsol, Josu Jon Imaz, que falava numa conferência com analistas, lembrou que a empresa obteve recentemente licenças por parte dos Estados Unidos – que fizeram uma intervenção militar em 03 de janeiro na Venezuela e capturaram o então Presidente, Nicolás Maduro – que lhe permitem operar no país da América Latina. Josu Jon Imaz disse que a empresa espera aumentar em 50% a produção bruta de petróleo em 12 meses na Venezuela e triplicá-la em três anos. O CEO defendeu que a Venezuela está agora “em uma situação significativamente melhor do que há dois meses”, porque está “se abrindo uma nova janela de oportunidade para um futuro melhor” no país e para o setor em que a Repsol opera. A Repsol “está trabalhando estreitamente” com autoridades norte-americanas e venezuelanas e com parceiros da PDVSA (Petróleos da Venezuela, empresa pública) para que tudo avance “em uma direção positiva”, acrescentou. Josu Jon Imaz afirmou que a retomada das operações diretas da Repsol na Venezuela passa por uma primeira contribuição: continuar abastecendo com gás o sistema elétrico nacional para “estabilizar o país”. Em paralelo, a Repsol está se preparando para começar a levantar carregamentos de petróleo venezuelano para exportação para Espanha, Estados Unidos “ou qualquer outro destino adequado que esteja autorizado” no quadro da licença que obteve, assim como para aumentar a produção de gás na Venezuela, investir na renovação das instalações de produção de petróleo e num plano para o campo petrolífero Carabobo, disse o CEO. “Estamos confiantes de que uma relação comercial normal poderá financiar esta aproximação ‘win win’ (vantajosa para as duas partes), já que o país obterá maior produção e maiores receitas com “royalties’ e nós teremos mais recursos para financiar esta operação. E, claro, continuamos abertos a explorar outras oportunidades para o futuro”, disse. “Minha visão é otimista sobre a Venezuela”, disse Josu Jon Imaz, que se referia tanto à situação do país quanto à evolução do setor de petróleo e gás natural, que disse que tem que ter um papel significativo na estabilização da situação venezuelana. A Repsol, presente em Portugal, revelou hoje que teve lucros de 1.899 milhões de euros no ano passado, 8,1% a mais do que em 2024. O “resultado líquido ajustado, que mede especificamente a gestão ordinária dos negócios”, ascendeu a 2.568 milhões de euros em 2025, menos 15,1% comparando com 2024. Num comunicado, a Repsol atribuiu estes resultados ao “contexto complexo” e “desafiador” de 2025, “marcado pela elevada volatilidade nos mercados energéticos”, que fez cair o preço médio do barril de Brent para os 69,1 dólares, menos 15,5% do que no ano anterior, a “uma crescente incerteza geopolítica” e “ao impacto do apagão” na Península Ibérica de 28 de abril de 2025. Em 2025, a empresa completou a saída da Colômbia e da Indonésia, “para concentrar as operações em geografias com maiores vantagens competitivas, como os Estados Unidos”, e a produção média diária ascendeu a 548.000 barris de petróleo, “em linha com o previsto no plano estratégico”. 560 mil e 570 mil barris por dia, “sem levar em conta o possível incremento da produção na Venezuela”. A Repsol apresentará em 10 de março novas estimativas para o período 2026-2028, “o que permitirá à empresa se adaptar à evolução do contexto macroeconômico, regulatório e empresarial do setor energético”, segundo comunicado divulgado hoje.



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