Associação comercial de Leiria diz que impacto é “bastante

Associação comercial de Leiria diz que impacto é "bastante

“O impacto foi bastante significativo, com danos materiais em diversas estruturas, incluindo telhados, coberturas, painéis solares, esplanadas, infraestruturas interiores, equipamentos de frio, sistemas de alarme e câmaras de videovigilância, viaturas afetas à atividade, montras e portas, bem como pisos e interiores dos estabelecimentos”, afirmou à agência Lusa o presidente da Acilis, Lino Ferreira, referindo terem sido ainda registados danos em mercadorias.

Precisando que os principais estragos “incluem infraestruturas danificadas, estabelecimentos sem cobertura, falta de energia e de comunicações”, Lino Ferreira salientou que, neste último caso, “têm condicionado fortemente” a atividade das empresas.
E mesmo estabelecimentos que se mantêm abertos, “como lojas de vestuário, sapatarias, perfumarias, óticas, ourivesarias e outros serviços não essenciais, têm registado quebras acentuadas nas vendas, uma vez que os consumidores estão focados na reparação dos seus próprios bens e no cumprimento de despesas adicionais”.
“O setor da restauração, apesar de considerado essencial, também sofreu quebras substanciais na sua atividade”, realçou o responsável da Acilis.
O dirigente disse ainda aguardar “com expectativa a disponibilização de apoios diretos às empresas para a cobertura dos prejuízos”, embora não acredite que “venham a ser suficientemente abrangentes”.
“O setor do comércio, apesar de ser o maior empregador, tem sido, historicamente, o parente pobre no acesso a programas de financiamento, não tendo beneficiado de apoios relevantes no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência”, observou.
Por outro lado, admitiu que, com a resiliência que caracteriza os empresários, “será possível recuperar”, mas antevê um processo “inevitavelmente lento” e uma situação preocupante.
“Se as empresas não conseguirem retomar a atividade com rapidez e assegurar o pagamento de salários, poderão verificar-se consequências graves para a economia local”, alertou Lino Ferreira.
Com 1.238 associados, a Acilis fez um levantamento através de um formulário de apuramento de prejuízos, divulgado por correio eletrónico e através das redes sociais, com reforço presencial junto de estabelecimentos em Leiria, Batalha e Porto de Mós, que, “por falta de comunicações não o conseguiam fazer”.
Dos 520 empresários que responderam até terça-feira a um inquérito, 203 apontaram prejuízos físicos e financeiros.
Após a depressão Kristin, a associação “tem apoiado os empresários na recolha de formulários com o reporte de danos”, para depois entregar a outras entidades, e tem mantido contacto com a Confederação do Comércio e Serviços e outras associações empresariais “para reforçar os pedidos de apoio financeiro direto às empresas, que atualmente é inexistente”.
Por outro lado, integra o Gabinete “Reerguer Leiria”, no Mercado de Sant’Ana, “apoiando os empresários no preenchimento de formulários de pedido de apoio à agricultura e habitação”, além de disponibilizar informação.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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