CAP fala em “catástrofe” e pede medidas únicas e apoios a

“O Governo fez bem em recorrer ao mecanismo de solidariedade e, sobretudo, ao mecanismo da reserva de crise agrícola (da União Europeia), que é mais importante para este caso, mas não tenhamos ilusões, (porque) isto não basta”, disse à agência Lusa o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura. Em Beja, ao final do Conselho Consultivo da CAP dedicado ao Baixo Alentejo, o responsável disse que as consequências do mau tempo não permitem “pensar que é através de verbas do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) que isto se vai resolver para a agricultura”. Pois, frisou Álvaro Mendonça e Moura, “o PEPAC não previu, nem poderia prever, uma catástrofe desse tamanho”. O presidente da CAP lembrou à Lusa que o ministério da Agricultura anunciou uma linha de apoio de 40 milhões de euros destinada à reposição do potencial agrícola para quem sofreu estragos causados pelo mau tempo, por meio de verbas do PEPAC. Mas “a única forma” de relançar o setor” é “por meio de uma assunção da sociedade que foi afetada”, afirmou, defendendo que é preciso encarar essa situação com outra postura. É preciso “olhar para isso fora do quadro mental em que normalmente operamos, que é o quadro do PEPAC, de uma crise que acontece vez ou outra. Isto é uma coisa diferente, é uma catástrofe”, vincou. A solução, sugeriu, passa por “ter apoios a fundo perdido” do Governo, tal como no período da covid-19, e “corrigir” as medidas anunciadas “de forma a que ninguém fique de fora e todos possam recuperar”. “Julgo que esse é o caminho, ou seja, assumir que estamos perante uma situação única, uma situação de catástrofe, que exige também medidas únicas, ou seja, não podemos estar a pensar que isto se resolverá com as verbas que estavam orçamentadas”, reforçou Álvaro Mendonça. Além dos municípios onde foi declarada a situação de calamidade, há prejuízos em outros municípios, nos quais os agricultores também sofreram danos e precisam de apoio, sustentou. “Depois do dia 28 de janeiro, a catástrofe continuou e, portanto, não são só aqueles que foram afetados pela tempestade de Kristin, são os outros eventos climáticos que aconteceram” e “há municípios que não estão incluídos e que também foram devastados”, ressaltou. O município de Odemira, no distrito de Beja, no qual produtores de pequenos frutos e outros agricultores se queixam de vários milhões de prejuízos, é um desses exemplos, que deve ter apoio do Governo, defendeu. Quanto ao PTRR – Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português anunciado, na quinta-feira, pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, o presidente da CAP disse julgar que “esse é o caminho, assumir que estamos perante uma situação única, que exige medidas únicas”. temas estruturantes para o setor agrícola, designadamente os desafios do Acordo Mercosul e a proposta relativamente à Política Agrícola Comum. Dezasseis pessoas morreram em Portugal continental na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas. O governo estendeu a situação de calamidade até domingo para 68 municípios e anunciou medidas de apoio de até 2,5 bilhões de euros.



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