Lagarde sublinha nos EUA importância da independência dos

Lagarde sublinha nos EUA importância da independência dos

“Sem essa independência protegida, apreciada e celebrada, bem como protegida pela prestação de contas, não creio que seríamos capazes de responder, como temos feito até agora, ao controle da inflação e responder às expectativas de inflação. Acho que isso está no DNA de um banco central eficiente. E, como sabem, não é uma receita para o sucesso total, e não deve ser vista de forma isolada; acho que isso não se consegue sem a prestação de contas”, disse Lagarde, na segunda-feira, num fórum da Associação Nacional de Economia Empresarial, realizado na capital dos Estados Unidos. As declarações de Lagarde surgem no contexto de dúvidas sobre os rumos do banco central americano diante das pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sobre o futuro desempenho de Kevin Warsh, candidato à presidência do Federal Reserve, recentemente nomeado pelo inquilino da Casa Branca. Segundo Lagarde, não se trata de os bancos centrais desfrutarem de “independência sem controle”, mas de “independência com forte consideração pela responsabilidade perante os representantes do povo”, e deu como exemplo suas aparições perante o Parlamento Europeu. A presidente do BCE e ex-líder do Fundo Monetário Internacional considerou “extremamente injusta e falsa” a noção de que os bancos centrais “vivem em uma torre de marfim e não entendem nem têm ideia do que está acontecendo em suas economias”. “Se você olhar para a instituição que conheço melhor, o BCE, em primeiro lugar, temos contato constante com o mundo corporativo, sejam empresas financeiras ou não financeiras. Em segundo lugar, saímos muito e nos comunicamos com elas. E realmente peço aos membros do meu conselho de administração que vão à base, ao supermercado, e que entendam os meandros da vida”, acrescentou Lagarde, que considerou que o trabalho das instituições de política monetária “tem que estar enraizado na vida real” e que isso também “faz parte dessa responsabilidade”. Donald Trump nomeou neste mês Kevin Warsh para substituir em maio o atual presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre quem o presidente americano exerceu uma pressão sem precedentes para que reduzisse os juros, abrindo uma investigação por supostos custos excessivos na reforma da sede do banco central americano e chegando a dizer que alguém que não concordasse com ele “nunca seria presidente do Fed”. De qualquer forma, analistas e mercados parecem ter recebido positivamente a candidatura de Warsh, que consideram capaz de manter a independência do Fed. Leia também: Lagarde diz que Europa ainda tem tempo de se beneficiar da IA

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