Apoios à reconstrução? “Sempre com responsabilidade e

“A dívida pública tem de continuar a baixar, mas temos, também, naturalmente, que acudir àquilo que é o apoio face às tempestades, àquilo que é a necessidade de reconstrução de todos aqueles territórios afetados, aquilo que é a necessidade de criar maior resiliência nas infraestruturas e nos serviços públicos, mas fazê-lo sempre com responsabilidade e equilíbrio orçamental”, disse Miranda Sarmento na conferência Banking on Change. O ministro falava na abertura desta conferência organizada pelo jornal Eco e que decorre hoje em Lisboa. Na opinião de Miranda Sarmento, é esse equilíbrio fiscal e essa redução da dívida “que depois permite criar margem fiscal para responder a choques”, sejam de natureza catastrófica, sejam externos, “por via de conflitos geopolíticos”. Nesse sentido, o responsável pelas Finanças portuguesas apontou que haverá “efeitos imediatos e tangíveis”, nomeadamente depois de 10 mil empresas terem pedido isenção de TSU, o que significará uma perda de receita fiscal e contributiva este ano e no próximo ano, no IRC. Em seu discurso, Miranda Sarmento destacou a queda da dívida pública ao longo dos últimos anos e a disciplina fiscal que permitiu ter um desempenho melhor que a zona do euro, que em 2025 atingiu um déficit médio de 3%. O ministro acrescentou que Portugal é um país mais atrativo para o investimento, tendo sublinhado que a procura de dívida pública “tem sido cada vez maior” e enaltecido emissões do IGCP em outubro que “tiveram níveis de procura 10 a 15 vezes superior”. Miranda Sarmento também saudou as melhorias do ‘rating’ da dívida pública portuguesa pelas agências de classificação financeira e que a Fitch e a S&P melhoraram o ‘outlook’ (perspectiva) de neutro para positivo. “Se nada piorar, poderemos ver novamente, talvez dentro de seis ou 12 meses, uma nova alta no ‘rating’, mas para isso, naturalmente, as coisas terão que continuar nesse caminho”, acrescentou. Sobre o investimento de empresas, Miranda Sarmento apontou que Portugal tem sido capaz de atrair investimento direto estrangeiro em projetos de tamanho significativos e em projetos industriais, como Calb, Lufthansa ou Airbus. O ministro disse ainda que Portugal quer chegar a uma dívida pública equivalente a 80% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. Caso a tendência continue, Miranda Sarmento considera que seria “um fator notável” se Portugal chegasse a uma dívida equivalente a 75% do PIB, “muito próximo do que são as previsões para a economia alemã”. “A Alemanha tem neste momento uma dívida pública ligeiramente acima dos 60%, mas como tem um plano de expansão orçamental muito significativo em defesa e infraestruturas, todas as previsões apontam que a economia alemã terá uma dívida pública pelo menos de 70% no final da década, o que significa que se Portugal conseguir chegar aos 75%, estaremos, então, com níveis de dívida pública similares aos da Alemanha”, disse. Leia Também: Grécia limita margens de lucro sobre preços de combustíveis



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