Guerra no Médio Oriente Aumenta Riscos, Governo Mantém

Guerra no Médio Oriente Aumenta Riscos, Governo Mantém

advertisemen tA semana econômica em Moçambique foi marcada por três sinais relevantes para os rumos da economia nacional: o alerta de analistas sobre os riscos da guerra no Oriente Médio para os preços da energia, a revisão para cima das previsões de inflação para os próximos anos e a nova queda do crédito concedido à economia. Ao mesmo tempo, as autoridades financeiras se preparam para a próxima avaliação internacional após a saída do País da lista cinza de lavagem de dinheiro. Governo assegura combustíveis estáveis ​​apesar da guerra. O governo garantiu que os preços dos combustíveis no mercado nacional devem permanecer inalterados pelo menos até o fim de abril, apesar da crescente instabilidade no Oriente Médio, região estratégica para o abastecimento global de petróleo. A informação foi dada pelo secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, após a sessão do Conselho de Ministros, explicando que o País tem atualmente cerca de 75 mil toneladas de combustíveis disponíveis no mercado e aproximadamente 85 mil toneladas armazenadas nos terminais oceânicos. “As reservas existentes permitem garantir o funcionamento da economia até o início de maio”, disse, acrescentando que a gasolina deve continuar a ser comercializada a cerca de 85 meticais por litro e o diesel a de 80 meticais. Oxford Economics prevê aceleração da inflação As perspectivas para a inflação em Moçambique pioraram nas últimas semanas, depois que a consultoria britânica Oxford Economics revisou para cima suas projeções para os próximos anos. Segundo a instituição, a inflação média deve chegar a 5,6% em 2026, acima da estimativa anterior de 4,8%, podendo subir para 8,4% em 2027. A revisão ocorre em um contexto de choques climáticos e incerteza econômica internacional. Em análise enviada aos clientes, os economistas da consultoria alertam que os acontecimentos recentes estão deteriorando as perspectivas para a evolução dos preços no País. “Os recentes desenvolvimentos externos e internos não são um bom presságio para as perspectivas de inflação de Moçambique para 2026”, disse a instituição. Entre os fatores apontados estão as enchentes registradas no início do ano, que destruíram áreas agrícolas e afetaram infraestrutura logística. Esses impactos, segundo analistas, podem se traduzir em aumentos nos preços dos alimentos e dos transportes ao longo do ano. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística indicam que o Índice de Preços ao Consumidor registrou em fevereiro uma alta mensal de 0,68%, impulsionada principalmente pelo encarecimento de produtos alimentícios. Entre os bens de maior impacto destacam-se o carvão vegetal, a alface, o tomate e o carapau. Guerra no Oriente Médio pressiona preços do petróleo e aumenta riscos para custo do combustível Analistas alertam para impacto da Guerra no Oriente Médio A escalada militar no Oriente Médio está gerando preocupação entre especialistas moçambicanos, que alertam para possíveis efeitos sobre os preços dos combustíveis e o custo de vida. O conflito, que afeta uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo, causou volatilidade nos mercados de energia e aumentou o temor de interrupções nas rotas marítimas. Para o analista de relações internacionais Orlando Mazuze, o impacto pode ser significativo se a instabilidade se prolongar. “O palco do conflito coincide com a região onde estão alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como Arábia Saudita, Irã ou Emirados Árabes Unidos. Qualquer perturbação ali tem reflexos imediatos no mercado energético global”, disse. O especialista acrescenta que a redução da oferta tende a causar aumentos de preços. “Quando a produção diminui e a oferta fica mais limitada, a demanda permanece a mesma e o preço do petróleo sobe. Sendo um bem essencial para todas as economias, esse aumento acaba afetando vários setores”, explicou. Wilker Dias, analista político e professor universitário, considera que o impacto pode ser sentido principalmente em países dependentes de importação de energia, como Moçambique. “Se houver escassez ou aumento de preços internacionais, os custos de transporte e alimentos também podem subir, afetando diretamente o bolso dos cidadãos”, advertiu. Crédito à economia volta a recuar O crédito concedido à economia moçambicana voltou a registrar uma ligeira queda no final de 2025, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique. O financiamento total da banca comercial ficou em cerca de 3,9 bilhões de euros em dezembro, marcando a segunda redução consecutiva após o pico observado em maio do mesmo ano. Apesar da queda recente, o montante permanece acima do nível registrado em 2024, o que indica uma evolução relativamente estável do financiamento bancário nos últimos anos. Ainda assim, os dados mostram que o ritmo de concessão de crédito tem sido moderado. Entre os principais destinatários do crédito, continuam a se destacar as pessoas físicas, que concentravam cerca de 1,4 bilhão de euros em financiamento. Seguem-se os setores de transporte e comunicações, indústria transformadora e comércio. Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros para crédito voltou a cair em março. A chamada “prime rate” ficou em 15,60%, após uma redução de 10 pontos-base anunciada pela Associação Moçambicana de Bancos. Moçambique prepara avaliação pós-lista cinza do GAFI Moçambique deve iniciar em setembro de 2027 o processo de demonstração internacional das medidas adotadas após a saída da chamada “lista cinza” de lavagem de dinheiro. A informação é do Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM), que alerta para a necessidade de consolidar reformas para evitar um eventual retorno à lista de monitoria do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI). Texto: Felisberto Rucoa dvertisement

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