Preços: Agricultores e distribuição lançam apelo “urgente”

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição(APED) lançaram, nesta quinta-feira, um apelo “urgente” ao Governo para que avance com um “pacote coerente e eficaz de medidas” dada a escalada dos preços. “Neste contexto, a CAP e a APED consideram urgente que o Governo avance com um pacote coerente e eficaz de medidas que promova condições de concorrência mais equilibradas, reduza custos de contexto e apoie de forma concreta e visível, a produção nacional, salvaguardando o acesso a bens essenciais e a confiança dos consumidores”, pode ler-se num comunicado enviado às redações. A CAP e a APED alertam que “a inação ou atraso na resposta a esse desafio comprometerá ainda mais a posição competitiva de Portugal, com consequências negativas para empresas, produtores e consumidores”. As duas entidades, no contexto da situação no Oriente Médio, “expressam sua especial preocupação com o risco crescente de perda de competitividade da economia portuguesa em relação à Espanha, amplamente agravada pela atual crise dos preços da energia e dos combustíveis, com impactos muito evidentes ao longo de toda a cadeia de valor, da produção ao consumo”. A CAP e a APED, “apesar de representarem setores com perspectivas e interesses próprios, mas complementares, na cadeia de abastecimento, fundamental para assegurar a entrega de bens essenciais para às famílias portuguesas — e reconhecendo que podem existir diferenças quanto às soluções a adotar —, ambas as organizações convergem no diagnóstico”. Esse diagnóstico é que “o atual quadro econômico, fiscal e regulatório, e a demora para reagir com determinação à escalada dos preços de energia e combustíveis, vem penalizando a capacidade competitiva das empresas nacionais frente à Espanha, aprofundando assimetrias, e debilitando o tecido produtivo e que, em breve, acabará por enfraquecer o poder de compra dos consumidores”. No comunicado, “CAP e APED reafirmam, assim, conjuntamente, sua disponibilidade para colaborar construtivamente na definição de soluções que reforcem a competitividade do país, em respeito às especificidades de cada setor, mas com um objetivo comum: um mercado mais dinâmico, competitivo e sustentável para todos e que ajude os consumidores a superar as dificuldades decorrentes do aumento do preço da energia”. Governo admite ajustar resposta à alta de preços “se situação se prolongar” Vale lembrar que o governo admitiu, na quarta-feira, no parlamento ajustar a resposta à alta de preços “se a situação se prolongar” e rejeitou estar lucrando com a crise, após o PCP pedir a regulação de preços de alguns bens. Em debate no plenário pedido pelo PCP sobre o combate ao agravamento dos preços após o ataque dos Estados Unidos da América ao Irã, o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, garantiu que o executivo vai “agir sempre que necessário”, com base “em critérios objetivos” e de forma articulada “com o quadro europeu”. “Se a situação se prolongar, estaremos preparados para ajustar a resposta”, assegurou, sem dar uma resposta direta ao que o PCP, que pediu regulação dos preços do cabaz alimentar, botija do gás e combustíveis. O secretário de Estado da equipe do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, disse ainda que as reduções do Imposto sobre produtos petrolíferos e energéticos (ISP) “demonstram claramente que o Governo não lucra com a crise, mas antes atua para mitigar o impacto nas pessoas”. Em resposta a críticas do PS de estar tomando medidas aquém das anunciadas na Espanha, ele ressaltou que o executivo português atuou antes do Governo espanhol. A afirmação aconteceu depois de o deputado socialista Nuno Fazenda acusar o executivo de não saber lidar com crises, seja à subida dos preços da energia, seja às tempestades, e de referir que, com a subida dos preços, o Governo “não está a dar nada a ninguém”, apenas a abdicar de arrecadar mais receita. (Notícia atualizada às 10h13) Leia Também: Governo admite ajustar resposta à alta de preços “se situação se prolongar”



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