Banco da Espanha melhora previsão do PIB para 2,3% neste ano

Inflação de dezembro abranda para 2,0% na zona euro

Para o banco central, as medidas aprovadas pelo governo para responder ao impacto da guerra amortizam substancialmente, por enquanto, as repercussões do conflito no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Banco da Espanha, sem as medidas avançadas pelo Governo, o crescimento do PIB este ano se limitaria a 2%. Ressaltando a grande incerteza da situação, o banco central espanhol considera que, se a guerra se prolongar e houver um cenário “severo”, em que oo barril de petróleo chega a 145 dólares, o PIB da Espanha pode se limitar a 1,9%. A economia espanhola cresceu 2,8% em 2025 e 3,5% em 2024, segundo os dados oficiais mais recentes. Quanto à inflação, a nova previsão do Banco da Espanha é que seja 3% neste ano, 0,9 ponto a mais que na estimativa anterior, devido, entre outros fatores, ao “súbito encarecimento das commodities energéticas – petróleo e gás – após o início do conflito” no Oriente Médio, com ataques dos EUA e Israel ao Irã, em 28 de fevereiro. A previsão para o saldo das contas públicas espanholas é de um déficit de 2,3% este ano (mais dois décimos) e que a dívida nacional caia para 99,2% do PIB. Para 2027, o banco central prevê um crescimento do PIB da Espanha de 1,7% e uma inflação média anual de 2,5%. Segundo estimativa de inflação publicada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística espanhola (INE), os preços na Espanha subiram 3,3% em março, durante o primeiro mês da guerra, comparando com o mesmo mês de 2025, por causa dos combustíveis. Em fevereiro, a inflação anual (alta de preços na comparação com o mesmo período do ano anterior) foi de 2,3%. Se a estimativa de hoje do IBGE se confirmar, a inflação na Espanha foi em março a maior desde junho de 2024. Os preços dos combustíveis estão sendo afetados pela guerra entre Estados Unidos e Israel e Irã. O governo espanhol aprovou na semana passada um plano com 80 medidas para responder ao impacto nos preços da guerra no Oriente Médio. As medidas incluem a queda do IVA nos combustíveis, na eletricidade e no gás natural de 21% para 10%, assim como descontos e ajudas no gasóleo para transportadoras e para o setor da agropecuária e da pesca e apoios para a compra de fertilizantes para a agricultura. Em paralelo, o executivo reforçou o apoio para o pagamento de luz destinado a famílias consideradas vulneráveis ​​e também foi estabelecido um preço máximo para o gás butano e propano. No caso da eletricidade, é uma queda global de 60% nos impostos e, nos combustíveis, o IVA passou para o valor mínimo permitido pela UE. O Plano Integral de Resposta à crise no Oriente Médio, que também inclui incentivos para investimentos em energia renovável, deve mobilizar cinco bilhões de euros em recursos, segundo o governo. O Banco da Espanha considerou hoje que, apesar dos elementos positivos, esse plano deveria ter incluído medidas “mais focadas e seletivas” para das famílias mais vulneráveis. “Ao não focar nos domicílios mais vulneráveis, apresenta limitações em termos de eficácia redistributiva” e “alternativas mais direcionadas e seletivas permitiriam alcançar um nível de proteção semelhante, assim como reduzir distorções” em alguns preços, defendeu o banco central, em documento divulgado hoje. No final da semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento para a Espanha em dois décimos de ponto percentual, para 2,1% no final de 2026, devido ao impacto negativo da guerra no Oriente Médio. A taxa de inflação na Espanha deve ficar em cerca de 3% até o final de 2026 e passar para 2,2% até o final de 2027, segundo o relatório anual do FMI sobre a economia espanhola. Leia Também: Portugal goleia Azerbaijão e fica cada vez mais perto da Euro2027

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