Galp antecipa 2026 “desafiante”. Foco na Namíbia e na fusão

Na conferência com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre, a co-presidente executiva Maria João Carioca afirmou que a petroleira continua administrando “a atual volatilidade do mercado e as perturbações no abastecimento” devido ao conflito no Oriente Médio, mas ressaltou que isso “não prejudicou de forma alguma” a execução das iniciativas estratégicas em curso. A Galp indicou que não pretende rever já as previsões anuais, apesar da mudança no cenário macroeconômico. Maria João Carioca reconheceu que o quadro que sustentava as previsões anteriores “não se mantém mais”, mas defendeu que a situação segue marcada por “alta volatilidade” e “muitas variáveis em movimento”. “Não consideramos que este seja o momento de fixar um novo ‘guidance'”, disse, acrescentando que uma atualização pode ocorrer com a publicação dos resultados do segundo trimestre. “Continuamos buscando executar com ritmo e disciplina”, disse Maria João Carioca, acrescentando que na Namíbia “as atividades de ‘procurement’ (processos de contratação e aquisição de bens e serviços) estão avançando”, o que permite “manter o objetivo de iniciar as atividades de perfuração da próxima campanha de exploração e avaliação no quarto trimestre”. “No geral, 2026 está, de fato, se configurando como um ano desafiador, mas também bastante emocionante para a Galp”, disse. Mais adiante, questionada novamente sobre a Namíbia e o cronograma de desenvolvimento, ela disse que, “no que diz respeito à parceria, o processo está avançando a um bom ritmo”. A co-CEO explicou que “um dos passos críticos” dizia respeito aos direitos de preferência, cujo prazo já terminou, acrescentando que “não foram exercidos direitos de preferência”. “Neste momento, estamos apenas aguardando as autoridades locais”, disse, indicando que a Galp espera que a aprovação governamental chegue “tão rapidamente quanto as autoridades considerem viável”. No que toca às discussões com os acionistas da Moeve sobre a fusão de alguns ativos, a Galp indicou que “continuam a evoluir positivamente”, mantendo-se a expectativa de “um potencial acordo até meados do ano”. Questionado sobre a combinação com a Moeve, o co-presidente executivo João Diogo Marques da Silva afirmou que a operação dará à Galp “escala adicional” e “ativos complementares”, embora tenha sublinhado que ainda é “muito cedo” para detalhar impactos. Um dos trunfos dessa combinação pode estar relacionado ao combustível sustentável para aviação, conhecido pela sigla inglesa SAF. “Estamos pensando na unidade de produção de SAF que temos construído nos últimos anos, tanto nós quanto a Moeve”, disse João Diogo Marques da Silva. “Esse é um ativo muito importante a ser considerado em termos de sinergias”, acrescentou o gestor, apontando também para potenciais ganhos em logística, cadeia de suprimentos, eficiência em paradas programadas e energia. A empresa também destacou que a dívida líquida se manteve estável. Segundo Maria João Carioca, o desempenho operacional “sólido” do trimestre se refletiu na demonstração de resultados e reforçou “a robusta posição financeira da Galp”. João Diogo Marques da Silva afirmou, por sua vez, que a empresa está acompanhando “de perto os desenvolvimentos” nos mercados internacionais, em um contexto em que “o impacto pode ser sentido em nível global”. A Galp fechou o primeiro trimestre do ano com lucro ajustado de 272 milhões de euros, alta de 41% em relação ao mesmo período do ano passado, sustentada pelo aumento da produção de petróleo no Brasil e dos preços do Brent. Leia Também: Há aviso prévio: Sindicato pede greve na distribuição no 1º de Maio



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