BCE: Poder militar europeu pode reforçar confiança no euro

No relatório anual de 2025, hoje apresentado em Bruxelas na Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu pelo vice-presidente Luis de Guindos, o Banco Central Europeu (BCE) lembra que a moeda única tem mantido a sua posição como a segunda divisa internacional mais importante, a seguir ao dólar dos Estados Unidos, e refere que “a recente evolução geopolítica representa desafios e oportunidades para o papel internacional do euro”.
Por um lado, diz, “alguns bancos centrais aumentaram a respetiva compra de ouro, os países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão a explorar alternativas aos sistemas de pagamentos transnacionais tradicionais e a Administração dos Estados Unidos está a apoiar a utilização a nível mundial de criptomoedas estáveis com base no dólar dos Estados Unidos”.
Por outro lado, avisa, “o reforço da credibilidade geopolítica da Europa e a reconstrução do seu poder coercivo deverão também ajudar a reforçar a confiança no euro a nível mundial”.
“Entretanto, as tarifas impostas pela Administração dos Estados Unidos no início de abril de 2025 desencadearam um enfraquecimento acentuado do dólar dos Estados Unidos, a par de taxas de juro de longo prazo mais elevadas — uma rara correlação cruzada entre ativos”, o que, segundo o BCE “indica que os investidores poderão estar a examinar de forma cada vez mais rigorosa o papel do dólar dos Estados Unidos como moeda segura”.
Segundo o BCE, “uma paisagem em mutação poderia abrir caminho a um maior papel internacional do euro”, com três potenciais implicações positivas.
No documento, o banco central admite que esse cenário levaria a “uma procura mais forte de títulos de dívida denominados em euros” que “permitiria aos governos e às empresas obter crédito a taxas inferiores”, refere que mais fluxos comerciais denominados na divisa europeia “protegeriam a a área do euro de flutuações das taxas de câmbio” e que a Europa ganharia autonomia estratégica que a ajudaria a proteger-se “de sanções ou de outras medidas coercivas”.
No entanto, diz, “o euro só prosperará se for apoiado por políticas adequadas”, como “a promoção da união da poupança e dos investimentos”, a “eliminação das barreiras na União Europeia” para melhorar a “profundidade e liquidez dos mercados de financiamento do euro”, e a “emissão planeada de obrigações a nível da UE”.
O BCE garante que está “a dar o seu contributo”, designadamente com a aposta no euro digital e com uma melhoria “dos sistemas de pagamentos transnacionais entre o euro e outras moedas”.
No mesmo relatório, refere que, ao longo de 2025, numa “conjuntura de incerteza crescente”, o Conselho do BCE (o órgão de decisão da política monetária) decidiu as taxas de juro considerando os dados económicos “reunião a reunião”, sem se comprometer “previamente com uma trajetória de taxas específica” e disse que estava “preparado para ajustar os seus instrumentos, conforme apropriado, a fim de cumprir o seu mandato de manter a estabilidade de preços”.
No Parlamento Europeu, o vice-presidente Luis de Guindos assegurou que, “independentemente do que o futuro nos reservar, o BCE continuará firmemente empenhado” em cumprir o seu mandato de assegurar estabilidade financeira e estabilidade nos preços.
Neste momento, o euro é a moeda oficial de 21 de 27 países da UE, Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal.
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