Acionistas do Novo Banco não pagam dividendos que ficam para

O Novo Banco foi, no ano passado, vendido ao grupo francês BPCE, mas até a assinatura da escritura (o que deve acontecer no final de abril) ainda é detido pelo fundo norte-americano Lone Star (em 75%) e pelo Estado português (em 25%, através do Fundo de Resolução e da Direção-Geral do Tesouro e Finanças), por isso a reunião magna reuniu esses três acionistas. Segundo informações recolhidas pela Lusa, a assembleia geral aprovou as contas de 2025, ano em que o banco teve resultados históricos de 828 milhões de euros. Quanto à proposta de distribuição de resultados (ponto dois da pauta), foi aprovada a não distribuição de dividendos, passando a maioria do lucro para resultados transitados (uma pequena parte ficou em reserva legal, obrigatória por lei). A proposta aprovada, a que a Lusa teve acesso, considera que tendo em conta o acordo para a venda do Novo Banco “a política de distribuição de dividendos não será aplicável ao exercício findo em 31 de dezembro de 2025”. Ou seja, como os dividendos ficam no banco, eles passam a pertencer ao grupo francês quando ele assumir o controle, cabendo a ele decidir como e quando serão distribuídos. O preço da venda do Novo Banco ao grupo francês BPCE de 6.400 milhões de euros já previa que a distribuição de lucros relativa a 2025 pertencesse integralmente ao grupo francês, segundo informações recolhidas pela Lusa. A Lusa questionou hoje o Fundo de Resolução bancário e o Ministério das Finanças sobre o tema, como acionistas, mas não obteve resposta. Já na sexta-feira ele havia questionado, igualmente sem respostas. O Novo Banco foi criado em 2014 para assumir parte da atividade bancária do Banco Espírito Santo (BES) quando, em agosto daquele ano, o banco foi alvo de uma medida de resolução diante da grave crise em que estava imerso. Em 2017, a maioria do Novo Banco (75%) foi vendida o Lone Star, mantendo o Estado português o restante (25%). Nessa venda, foi acordado um mecanismo pelo qual o Fundo de Resolução bancário compensaria o Novo Banco por ativos ‘tóxicos’ herdados do BES. Nos anos seguintes, o Fundo de Resolução injetou R$ 3.405 milhões no banco, causando diversas polêmicas políticas e midiáticas pelo uso de dinheiro público. Com o fim antecipado desse mecanismo, no final de 2024, passou a ser possível a venda do banco e o pagamento de dividendos. Em junho, os acionistas do Novo Banco concordaram em vendê-lo ao BPCE por 6.400 milhões de euros, e os acordos foram assinados em outubro. Com a venda, o Lone Star encaixa 4.800 milhões de euros e o Estado português 1.600 milhões de euros. O Banque Populaire Caisse d’Epargne (BPCE) é dos principais grupos bancários da França. Já opera em Portugal no crédito ao consumo e na banca de investimento (detém o centro tecnológico da Natixis no Porto, com 2.500 funcionários), mas essa compra marca sua entrada na banca de varejo em Portugal. Leia Também: Atenção, Sporting: Figura do Arsenal se machuca e fica fora da Champions



Publicar comentário