Aeroporto e ferrovia têm de avançar porque “já perdemos

“Não podemos ter um país adiado. Já perdemos muito tempo em questões fundamentais como as do novo aeroporto de Lisboa e da ferrovia”, afirma, considerando que “as decisões do Governo, em relação a ambos os projetos, têm que ter uma rápida execução, para que os portugueses vejam que não passaram de anúncios”. Classificando a situação do atual aeroporto de Lisboa como “terceiro-mundista”, criticou o facto de a capacidade da Portela se encontrar “amplamente excedida” e sem hipótese de “ampliação”. É uma coisa inenarrável”, sintetizou. “Os interesses do país não podem ser confundidos com interesses de concessionárias”, avançou ainda. Carlos Mineiro Aires resignou em setembro de 2024 à presidência do Conselho Superior de Obras Públicas, um organismo consultivo do Governo em matéria de infraestruturas, tendo presidido também à Comissão de Acompanhamento da comissão técnica independente para a ampliação da capacidade aeroportuária da região de Lisboa. Meses antes, em março do ano passado, disse publicamente que Luís Montenegro, “não pode ser permeável a pressões de uma companhia estrangeira (ANA) a operar em Portugal com um contrato que prejudica os interesses nacionais”. Na altura, considerou que “a pressão feita” por José Luís Arnaut, presidente da ANA, “até limita gravemente a atuação do primeiro-ministro”. Recordando que o financiamento do futuro aeroporto Luís de Camões, estimado pela ANA em 8,5 mil milhões de euros, será assegurado pela receita das taxas aeroportuárias, assim como a terceira travessia do Tejo será suportada pela concessão das outras duas ligações, Mineiro Aires adianta que “há todas as condições para as obras arrancarem, mas não arrancam porque começou-se a discutir minudências”. “A concessionária anda, obviamente, a tentar fazer a solução que lhe interessa mais e que é a mais económica. Quem entra naquele aeroporto (da Portela), vê o estado em que está e que não pode durar 13 anos”, realçou. O antigo bastonário alertou ainda contra “soluções intermédias, para evitar o que é inevitável”. “Como cidadão, tenho o direito de pensar e julgar aquilo que para mim é óbvio. Temos que trabalhar rapidamente e avançar com as coisas. As questões ambientais, por exemplo, já podiam estar a avançar”, declarou, aconselhando o Governo a “pressionar a ANA”. Referindo que os fundos do PRR acabam em 2026, recomendou ainda a “conclusão da ligação ferroviária à Europa, através de Espanha, porque o atraso é muito grande”. Se fosse ministro das Infraestruturas, o responsável afirma que não mudaria o que está pensado, mas faria “muito planeamento”, de maneira a saber “o que é preciso, quando é que se faz, com quanto é que se faz e como é que se arranja o dinheiro. E olharia para as necessidades básicas dos cidadãos, como a habitação e a mobilidade. Temos um país muito desequilibrado”. Leia Também: Este elétrico da Renault fez mais de 1.000 km a 100 km/h sem carregar



Publicar comentário