Aeroportos europeus sem perturbações nas fronteiras.

A página eletrônica do tabloide The Sun, o jornal mais lido do Reino Unido, publicou uma matéria sobre Portugal, “o popular país europeu afetado pelas piores filas nos aeroportos, com ‘famílias obrigadas a esperar seis horas'”. Várias publicações reproduziram nos últimos dias o caso de uma espera de seis horas e 40 minutos no aeroporto de Lisboa revelado pela ‘blogueira’ Yulia Tulskaya. Relatos nas redes sociais de horas em filas e voos de volta perdidos, ilustrados com fotografias e vídeos, foram repetidos na imprensa britânica desde o início do ano. O Governo britânico alertou sobre tempos de espera mais longos nos postos de fronteira e pontos de chegada na área da UE/Schengen e aconselhou os viajantes a prever mais tempo para a passagem das fronteiras. O secretário de Estado do Interior, Alex Norris, disse em março que estava “dialogando com a Comissão Europeia na adoção de medidas para ajudar a minimizar, tanto quanto possível, os transtornos para os britânicos”. Para evitar gargalos no Porto de Dover e nos terminais do trem Eurostar e do Eurotúnel, o Executivo britânico celebrou acordos recíprocos com a França que permitem às autoridades francesas realizar controles de fronteira nesses pontos de partida do Reino Unido com destino à UE. Mobilizou financiamento adicional para a instalação de quiosques para registro no EES tanto na estação St Pancras, em Londres (para o Eurostar), quanto no terminal da Eurotúnel em Folkestone. Atrasos na conexão com o ‘software’ operacional do lado francês da fronteira levaram a atrasos na implementação do EES para a maioria dos viajantes nos três postos de fronteira do Reino Unido, quando a coleta de dados biométricos se tornou obrigatória, em 10 de abril de 2026. A imprensa nórdica também destacou as longas filas no resto do continente e alertou os viajantes para estarem preparados. Ao lado de outros aeroportos, Lisboa tem surgido como exemplo das disrupções causadas pelo novo Sistema de Entrada/Saída (EES). “Aeroportos como os de Genebra e Lisboa já registraram tempos de espera de várias horas. O sistema chegou a ficar paralisado em Portugal após uma avaria”, escreveu o jornal sueco Dagens PS esta semana sobre as notícias da situação no aeroporto Humberto Delgado. “Arlanda e Landvetter estão operando normalmente”, diz o mesmo jornal sobre a situação nos dois maiores aeroportos do país, Estocolmo e Gotemburgo. “Mas assim que você pousa na Europa, especialmente nos aeroportos maiores, a situação muda completamente”, acrescentou. O foco no dito “caos” europeu (palavra usada, por exemplo, pelo jornal sueco Expressen) é transversal à imprensa nórdica, com avisos aos leitores que se dirijam a França, Alemanha, Bélgica, Itália, Espanha, Grécia e Portugal, entre outros destinos com longas filas. Em termos gerais, os maiores aeroportos dos países nórdicos e bálticos não registraram grandes interrupções com a introdução do EES. A situação mais preocupante parece ser a de Copenhague, com relatos de passageiros esperando mais de uma hora, segundo a plataforma de notícias The Local Denmark. Na Espanha, o novo sistema Entry-Exit System (EES) foi aplicado de forma progressiva entre 12 de outubro e 10 de abril, como previsto inicialmente, sem interrupções e “sem que tenha havido incidências relevantes”, disse à Lusa o Ministério da Administração Interna (MAI). O EES está atualmente “plenamente operacional” na Espanha, depois da “primeira ativação”, em 12 de outubro, no aeroporto de Madri, o maior do país. “O pessoal da Polícia Nacional responsável pelo controle de fronteiras foi dimensionado com antecedência e planejamento em função da concentração de voos previstos para cada momento”, disse o MAI. Segundo uma informação da Unidade Central de Fronteiras da Polícia Nacional de 10 de abril, apesar este ser um sistema automatizado, a implementação nos portos e aeroportos espanhóis foi acompanhada por “uma mobilização significativa” de cerca de 1.200 agentes. Segundo a Polícia Nacional da Espanha, houve ajuste nos equipamentos do EES ao longo dos meses de implantação, para dar maior “rapidez e segurança” ao sistema, e os principais problemas que foram registrados foram momentos pontuais em que ele caiu e foi preciso reiniciá-lo. Ao longo desses meses, a imprensa espanhola noticiou poucas perturbações associadas ao EES, todas em dezembro, nomeadamente “filas infernais” no aeroporto de Málaga, em um dos aeroportos de Tenerife e na fronteira terrestre com o Marrocos da cidade de Melilla. A Polícia Nacional espanhola disse num comunicado em 10 de abril que a aplicação do EES em toda a Espanha superou, entretanto, o grande teste da Semana Santa de 2026 (entre 29 de março e 05 de abril), quando “não se registou qualquer incidência relevante”. Só no aeroporto de Madri, 900 mil passageiros de 3,7 mil voos passaram pelo controle do novo sistema na Semana Santa, segundo a Polícia. Leia Também: “Em dez anos, fluxo de passageiros aumentou quase 70%”



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