Antigo Ministro da Agricultura Considera Que a Eficiência
advertisemen tO antigo ministro da Agricultura e do Comércio Externo, Joaquim de Carvalho, afirmou esta quinta-feira (30) que a “eficiência económica aliada à integridade institucional constitui condição indispensável para o progresso sustentado de Moçambique.” A declaração foi feita durante a cerimónia de comemoração dos 50 anos da Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), onde proferiu a palestra intitulada “50 anos de independência: o contributo da Faculdade de Economia da UEM para o pensamento económico nacional – desafios e perspectivas”. Com um discurso marcado pela revisita histórica dos períodos cruciais da economia moçambicana, Joaquim de Carvalho recuou aos tempos de guerra e de escassez profunda, quando o Estado geria desde o fornecimento de medicamentos até a importação de bens alimentares, e os recursos eram drasticamente inferiores às necessidades. “O Estado não deve vender fósforos”, disse, ecoando o pensamento de Samora Machel, para ilustrar os limites do papel estatal na economia. Durante o seu relato, o antigo ministro abordou a participação de Moçambique em reuniões do Comecon, bloco económico dos países socialistas, e a subsequente aproximação a potências ocidentais como os Estados Unidos e o Reino Unido. Esta viragem diplomática, que culminou com o encontro entre Samora Machel e Ronald Reagan, marcou a entrada do País nas instituições de Bretton Woods, nomeadamente o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.advertisement Foi neste contexto que emergiu o Programa de Reabilitação Económica (PRE), inspirado nos modelos de ajustamento estrutural, com o objectivo de eliminar a planificação centralizada e instaurar uma economia de mercado. Apesar da sua necessidade, Joaquim de Carvalho reconheceu que a implementação do programa teve falhas graves, nomeadamente a privatização de empresas para gestores sem experiência, que resultou em ineficiências e perdas para o Estado. Joaquim de Carvalho chamou a atenção para o surgimento de uma mentalidade de enriquecimento fácil e para a degradação do sentido de serviço público Destacou igualmente a forte desvalorização da moeda nacional, que obrigava os cidadãos a deslocarem-se com grandes volumes de notas para realizar pagamentos, facto que conduziu à emissão de uma nova moeda. Relembrou, a este respeito, a história da criação do Banco de Moçambique e das primeiras notas com a designação “metical”, que, embora impressas, nunca chegaram a circular. A sua experiência enquanto director da Faculdade de Economia também foi partilhada, referindo a reforma curricular que substituiu os antigos modelos baseados no marxismo-leninismo por abordagens adaptadas à realidade económica nacional, e sublinhou que a formação de quadros competentes é essencial para um sistema económico funcional. Joaquim de Carvalho chamou ainda a atenção para o surgimento de uma mentalidade de enriquecimento fácil e a degradação do sentido de serviço público, referindo-se especificamente ao escândalo das dívidas ocultas, que considerou um marco da degradação moral de certas instituições. “Enquanto persistirem práticas de apropriação e uso pessoal dos recursos públicos, não haverá progresso verdadeiro”, advertiu. A terminar, citou os economistas Daron Acemoglu (MIT) e James Robinson (Harvard), ao afirmar que “os países fracassam economicamente porque as suas instituições são fracas”. Defendeu que apenas com lideranças comprometidas com o bem comum, e através de disciplina, sacrifício e trabalho, será possível construir um futuro de prosperidade para Moçambique. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement



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