Atividade económica em Moçambique acelera e traz otimismo

O estudo mensal, consultado pela Lusa, refere que o PMI Moçambique de dezembro “assinalou a maior melhoria nas condições do setor privado dos últimos 10 meses, impulsionado pelo aumento mais acentuado dos números de mão-de-obra em mais de dois anos e meio”. “Os níveis crescentes de novos negócios e de produção apoiaram as empresas nas suas decisões de contratar, adquirir mais meios de produção e, pela primeira vez desde abril passado, aumentar os seus ‘stocks’. No entanto, a taxa de inflação dos custos dos meios de produção manteve-se num dos seus níveis mais elevados em 2025”, refere-se. “É de salientar que a taxa de crescimento do emprego na economia do setor privado foi a mais rápida registada desde abril de 2023”, acrescenta o estudo, apontando que “esforços para reforçar a mão-de-obra foram observados em todos os principais setores, com as empresas a destacarem frequentemente maiores requisitos de pessoal devido a uma melhoria da procura por parte dos clientes”. Em dezembro, o volume de novas encomendas “aumentou pelo terceiro mês consecutivo, tendo a subida sido mais forte do que a tendência da série”, apesar “de ter perdido ritmo em relação ao valor mais alto dos últimos 17 meses registado em novembro”. “As empresas indicaram que a receção de novos trabalhos permitiu um aumento da produção, que subiu em cada um dos últimos seis meses. O aumento geral da atividade empresarial foi moderado, com as subidas mais pronunciadas registadas entre fornecedores de serviços e empresas de comércio por grosso e a retalho”, lê-se. O índice PMI tinha subido de 49,1 em junho para terreno positivo em julho, com 50,7, mas em agosto voltou a cair para valores negativos, 49,9, e em setembro para 49,4, recuperando em outubro para 50,4 pontos, em novembro para 50,8 e em dezembro para 50,9. Indicadores do PMI acima de 50 pontos apontam para uma melhoria nas condições das empresas em relação ao mês anterior, enquanto indicadores abaixo desse valor mostram uma deterioração. O estudo acrescenta que no que diz respeito às perspetivas para 2026, as empresas moçambicanas apresentam “um forte otimismo” e que o “panorama para os próximos 12 meses foi o mais forte desde setembro passado e melhor do que a média observada em 2025”. “As empresas referiram que previsões de aumento das vendas, ganhos de capacidade resultantes da contratação de mais pessoal, novos produtos e melhorias da eficiência contribuiriam para melhorar a produção nos próximos 12 meses”, sublinha o documento. Citado no estudo, o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, refere que se mantém a previsão de inflação no final do ano de 2026 em 5,6%, em termos homólogos, “apoiada pelas perspetivas de estabilidade do par dólar norte-americano/metical”. “Numa análise prospetiva, o PMI sugere alguma recuperação nas perspetivas de negócio, com o subíndice do PMI de expectativas empresariais para o futuro a subir em dezembro, depois da descida nos dois meses anteriores. Muito provavelmente, os inquiridos estão a ter em consideração as perspetivas de que o progresso dos projetos de gás natural liquefeito (GNL) irá apoiar o crescimento”, aponta Mussá. Para 2026, refere ainda o economista-chefe, prevê-se que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) moçambicano seja de 1,1%: “O que denota uma recuperação lenta em relação às nossas estimativas de um crescimento de 0,7% em 2025. O provável encerramento da Mozal no final do primeiro trimestre de 2026 aumenta a pressão sobre uma economia que continua a ser afetada por pressões fiscais e pressões associadas à liquidez do mercado cambial”. Leia Também: Autarquias moçambicanas com baixa capacidade de ter receitas próprias



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