“Novos Ataques Causaram 26 Mortos em Duas Semanas”, Revela
a d v e r t i s e m e n tA organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) revelou que foram registados dez eventos violentos nas duas últimas semanas na província de Cabo Delgado, região Norte de Moçambique, acrescentando que, do total, nove envolveram extremistas do Estado Islâmico (EI), que provocaram 26 mortos, elevando para 6570 os óbitos desde 2017.
De acordo com o relatório com dados de 4 a 17 de Maio, dos 2384 eventos violentos registados desde Outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2203 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico.
O documento citado pela Lusa descreve que neste período de duas semanas, um grupo de combatentes do EI deslocou-se para o Sul, através do distrito de Ancuabe, e entrou em Chiúre. “Apesar dos exércitos moçambicano e ruandês terem bases em Ancuabe, a única resistência que o grupo encontrou foi por parte de residentes e elementos das milícias locais de naparamas, sendo que nenhum dos quais possui armas de fogo.”
“Outros elementos do EI permanecem activos mais a norte, tendo utilizado com sucesso um engenho explosivo improvisado contra uma coluna das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) em Macomia, e estão também presentes no sul de Mocímboa da Praia. No mar, pescadores e comerciantes continuam a enfrentar uma dupla ameaça, tanto dos insurgentes como da marinha, que extorquem dinheiro aos operadores de embarcações civis”, sublinha o organismo.
Neste período, e como resultado deste movimento, só no distrito de Ancuabe, mais de 13 mil pessoas abandonaram as suas casas até 12 de Maio. “Em Chiúre, os terroristas voltaram a incendiar casas e uma igreja, entrando em confronto com paramilitares naparamas. Nos seus canais de propaganda, o Estado Islâmico reivindicou ter morto 26 naparamas, mas fontes locais relatam que os civis, ao verem que os insurgentes estavam a ficar sem munições, perseguiram-nos.”
No ano passado, o Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu a necessidade de uma reformulação contínua da estratégia nacional de defesa, sublinhando que a segurança de Moçambique depende de instituições capazes de produzirem conhecimento e de formarem quadros altamente qualificados para combater os vários crimes.
Citado pela Agência de Informação de Moçambique, o chefe do Estado reiterou o apelo à vigilância e à prontidão das Forças de Defesa e Segurança (FDS) face ao terrorismo ainda activo na província de Cabo Delgado, destacando a centralidade da produção científica para a protecção do Estado.
Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos.
Em Abril de 2025, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas, e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.a d v e r t i s e m e n t



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