Cenário do BCE vê preço do petróleo atingir pico de 145

Nas previsões econômicas divulgadas hoje, que já foram ajustadas aos efeitos da guerra, a inflação foi revisada para cima para 2,6% em 2026, 2% em 2027 e 2,1% em 2028, enquanto o crescimento econômico foi revisado para baixo, para uma média de 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028. Esse é o cenário básico, mas a equipe do BCE também projetou outros dois, o adverso e o severo, ainda que ressalvando que “não atribui probabilidades a esses cenários, que servem para destacar as principais incertezas relativas ao impacto do conflito”. O cenário adverso incorpora efeitos indiretos e de segunda ordem mais fortes do que a projeção de referência, “com o objetivo de capturar possíveis não linearidades na propagação do choque inicial nos preços da energia para outros preços em toda a economia”, portanto, pressupõe um aumento muito mais acentuado nos preços da energia, bem como um aumento na incerteza e nos efeitos adversos internacionais. Nesse cenário adverso, os preços do petróleo e do gás natural devem atingir o pico de 119 dólares por barril e 87 euros por Megawatt-hora (MWh), respectivamente, no segundo trimestre de 2026, antes de convergirem para as projeções de referência no terceiro trimestre de 2027. “Em relação à projeção de referência, o cenário adverso implica que a inflação seria 0,9 ponto percentual (pp) e 0,1 pp maior em 2026 e 2027, respectivamente, mas 0,5 pp menor em 2028 devido às pressões desinflacionárias decorrentes da rápida normalização dos preços da energia naquele ano”, diz as projeções. Por outro lado, o crescimento econômico seria menor do que na projeção de referência em 2026 e 2027, mas maior em 2028. Já o cenário severo considera a hipótese de se verificar um choque de preços da energia mais forte e persistente, maior incerteza e efeitos indiretos e de segunda ordem ainda mais acentuados, com a previsão de que os preços do petróleo atinjam um pico de 145 dólares por barril e os preços do gás de 106 euros por MWh no segundo trimestre de 2026, antes de recuarem a um ritmo muito mais lento e permanecerem significativamente acima das premissas dos cenários base e adverso durante o restante do horizonte de projeção. Diante do cenário base, a inflação seria significativamente e persistentemente mais alta ao longo do horizonte de projeção (em 1,8 pp em 2026, 2,8 pp em 2027 e 0,7 pp em 2028), de modo que há uma diferença significativa na inflação em 2028 entre o cenário adverso (1,6%) e o cenário severo (2,8%). “A projeção destaca o papel fundamental da evolução do conflito, das interrupções no fornecimento de energia e da magnitude dos mecanismos de propagação desencadeados pelo choque na determinação do impacto sobre a inflação no médio prazo”, ressaltou o BC. Quanto ao crescimento econômico, neste cenário severo, seria 0,4 a 0,5 pp menor em 2026-27 e, em seguida, subiria para 0,5 pp acima da projeção inicial em 2028, o que reflete o aumento presumido na renda e na demanda resultante da resposta ascendente dos salários após o aumento da inflação nos anos anteriores. O barril de petróleo Brent para entrega em maio dispara mais de 10% hoje, aproximando-se de US$ 120, afetado pelo aumento das tensões no Oriente Médio na esteira de ataques a instalações de gás. Lusa | 10:28 – 19/03/2026



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