CIP diz que negociação não avança sem posição clara da UGT

O líder da CIP desafiou a UGT “a indicar quais são os pontos, e o que é que pretende” para chegar a um acordo final sobre a revisão da lei laboral que se arrasta desde julho de 2025. O representante da CIP falava no final de uma audiência com o Presidente da República, António José Seguro, sobre a proposta governamental de reforma do código do trabalho que entrou na sua reta final sem que os parceiros sociais tenham chegado a um entendimento. “Estamos a falar de uma produtividade baixíssima. Para consensualizar 130 medidas, demorámos nove meses”, adiantou Armindo Monteiro, considerando que a últma reunião tripartida entre Governo, patrões e sindicatos “não foi um avanço, foi um retrocesso”. Frisando que a negociação laboral “tem que terminar”, o responsável admitiu, no entanto, que se a UGT “indicar quais são os pontos, e o que é que pretende”, então a CIP “irá naturalmente olhar” para uma eventual nova proposta. Armindo Monteiro admitiu que a última versão consensualizada da reforma trabalhista não é a proposta que ele gostaria que fosse, mas “é a proposta que permite manter um equilíbrio e a paz social”. Ele rejeitou que a reforma trabalhista “pretende tirar direitos dos trabalhadores”, e acrescentou que “muito foi dito em torno do que não é”. Por isso, anunciou a disponibilização da última versão da proposta trabalhista no site da CIP, para que “todos os portugueses possam saber do que estamos falando”. Ele acrescentou que a discussão trabalhista foi usada para “fins político-partidários” mas que, da parte da CIP, houve um “esforço genuíno, que provavelmente não vai ter sucesso”. “Estamos defendendo a vida das empresas e de quem trabalha lá. Também gostaria de ver essa preocupação do outro lado”, disse ainda. Para quinta-feira, está prevista uma reunião extraordinária do secretariado nacional da UGT para decidir se a central sindical dá “luz verde” à proposta final de mudanças na legislação trabalhista. O anteprojeto de reforma da legislação trabalhista, intitulado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo governo em 24 de julho de 2025 para permitir uma revisão “profunda” da legislação trabalhista, ao contemplar mais de 100 mudanças na CLT. Leia Também: CIP contesta recomendações do FMI sobre gastos com saúde em Portugal



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