Conselho de Finanças Públicas de Cabo Verde alerta para

Conselho de Finanças Públicas de Cabo Verde alerta para

No relatório de apreciação da conta geral do Estado de 2024 divulgado pelo CFP, destaca-se que “a taxa de execução orçamental subiu para 76,5%, face aos 72,6% em 2023, refletindo estabilidade macrofiscal de curto prazo e continuidade na consolidação das contas públicas”.

Os saldos primário e corrente mantiveram-se positivos, em 1,18% e 1,03% do Produto Interno Bruto (PIB), respetivamente, mostrando uma “posição orçamental equilibrada”, apesar do agravamento do saldo global relativamente a 2023.
Os resultados de 2024 superaram as previsões do orçamento reprogramado, mas o CFP assinala o fraco desempenho do investimento público.
A execução de ativos não financeiros atingiu apenas 2,5% do PIB, representando 9,4% da despesa total.
“Esta taxa situa-se abaixo da média dos países em desenvolvimento (3,8 a 4,3%) e pode ser insuficiente para suprir as necessidades de resiliência climática e infraestrutura”, acrescentou.
Quanto à dívida pública, o rácio desceu para 111,4% do PIB, mas continua “significativamente acima” do limite legal de 80%.
Segundo o relatório, o país permanece exposto a riscos cambiais, principalmente ligados ao dólar norte-americano, e a potenciais aumentos das taxas de juro.
O ‘stock’ de responsabilidades contingentes do Estado, incluindo garantias e avais, atingiu 24,8 mil milhões de escudos (224,9 milhões de euros), enquanto os benefícios fiscais cresceram 7,2%, totalizando 11,3 mil milhões de escudos (102,4 milhões de euros), exigindo monitorização rigorosa para evitar erosão da base tributária, aponta-se.
O CFP assinala o cumprimento das metas para o défice e o saldo corrente, mas alerta para o incumprimento da regra de sustentabilidade da dívida.
A redução do rácio da dívida em 2024 deveu-se sobretudo ao diferencial favorável entre crescimento económico e custo médio da dívida, e não à diminuição nominal do ‘stock’.
No relatório recomenda-se ao Governo reforçar o realismo no planeamento orçamental, reorientar a despesa para criar espaço fiscal para investimento público, controlar rigorosamente a despesa com pessoal e melhorar a transparência e o acompanhamento dos riscos no setor empresarial do Estado.
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