Contas feitas, quanto perde quem não devolve as embalagens

Embalagens de bebidas (garrafas e latas, de plástico, metal ou alumínio, menores que 3 litros) com o símbolo do sistema – uma seta em forma de ferradura e a palavra Volta – passaram a custar 10 centavos a mais, quantia que só é recuperada se a embalagem for devolvida. Afinal, quanto perde quem não faz? “Depende muito dos hábitos de consumo de cada um, mas considerando o exemplo de uma pessoa que compra, diariamente, uma garrafa de água (e que a leva consigo); se não depositar a embalagem vazia, irá perder cerca de 3€ por mês ou 36€ ao ano”, disse Nuno Figueiredo, porta-voz da DECO PROteste, ao Notícias ao Minuto. Questionado sobre como está o programa, em vigor há cerca de um mês, Nuno Figueiredo disse que, “de momento, ainda é cedo para conseguirmos dar uma resposta precisa a cada ponto, visto que o sistema Volta precisa de mais tempo de funcionamento para começar a ter dados mais consolidados”. As dúvidas e desafios “Não consideramos que haja falta de informação sobre o tema, regras para a devolução das embalagens ou locais dos pontos de coleta automática, já que está disponível nos diversos canais de comunicação e também junto aos supermercados. Mas, até que se ganhe prática, é possível que haja dúvidas sobre o funcionamento do sistema, nomeadamente até que o período de transição (que vai até agosto para o setor HORECA) seja concluído”, acrescenta. O porta-voz da organização de defesa do consumidor também destaca que, “além disso, cada tipo de recolha (automática, manual e no canal HORECA) tem as suas particularidades de funcionamento, que terão de ser devidamente acompanhadas para se perceber se os cidadãos não têm questões ao usar cada uma (ou se têm questões, conseguir identificar quais para se poderem resolver)”. Questionado sobre a funcionalidade deste sistema, por exemplo, em aeroportos, Nuno Figueiredo revelou que “um exemplo do que acontece nos países que já têm este sistema implementado há muito tempo, é permitirem às pessoas despejarem o conteúdo líquido das garrafas num contentor próprio, para não terem de deitar a embalagem fora nem perderem o valor de depósito; sendo que depois podem encher as garrafas de água nos pontos de refill espalhados pelo aeroporto”. “Consideramos que faz todo o sentido a existência desse sistema, tanto nas partidas quanto nas chegadas, já que quando da compra no aeroporto os consumidores pagam o depósito”, acrescentou. “Não podemos ter cidadãos que não possam recuperar o valor do depósito” Sobre a abrangência do programa Volta, Nuno Figueiredo admite que “há zonas do país que terão uma maior cobertura de pontos de recolha, mas, pelo menos para a recolha automática, todas as localidades com um supermercado acima de 400 m2 terão de ter este tipo de recolha assegurada; e os estabelecimentos entre 50 e 400 m2 são obrigados a recolher as embalagens que venderam”. “Essas condições deveriam garantir a proximidade necessária às famílias. Ainda assim consideramos que o sistema tem de ser bem acompanhado porque certamente haverá regiões do país mais deficitárias e não podemos ter cidadãos que não possam recuperar o valor do depósito de forma simples e expedita, sem ser necessário percorrer vários quilómetros para o efeito”, alerta o porta-voz da DECO PROteste. As pessoas podem ter os 10 centavos de volta se depositarem embalagens com o símbolo Volta, vazias, intactas, com tampa (no caso de garrafas), com código de barras legível em máquinas do SDR, que ficam próximas a supermercados. Segundo a empresa, existem 2.500 máquinas, mas espera-se que esse número se aproxime de 3.000. Apesar de as máquinas estarem instaladas, muitas das embalagens ainda não possuem o selo do Volta, e um período de transição está em vigor até 9 de agosto. Leia Também: Novo sistema de reciclagem ainda meio gás um mês após entrar em vigor



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