Crescimento europeu cairia para “metade” se guerra se

“Realizamos algumas análises de cenários para avaliar o que aconteceria se as interrupções no fornecimento de petróleo e gás se prolongassem e, consequentemente, os preços permanecessem mais altos por um período mais longo, o que levaria a um aumento mais acentuado da inflação de 0,3 ponto percentual este ano e 1,1 no próximo ano e reduziria para cerca de metade a previsão de crescimento tanto para este ano quanto para o próximo”, disse o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis. Falando em entrevista a um grupo de jornalistas europeus em Bruxelas, incluindo a Lusa, no dia em que a instituição apresenta as primeiras previsões econômicas desde o início da guerra do Irã, o oficial explicou que, para chegar a esses valores, foi considerada a atual crise do petróleo e do gás, em linha com as expectativas do mercado, mas também abrangidas análises de cenários para um cenário potencialmente mais adverso. “Há vários meses que temos vindo a debater as implicações económicas negativas do conflito no Médio Oriente. Isto desencadeou um novo choque energético e, consequentemente, conduziu a um abrandamento económico e a um aumento da inflação na UE”, adiantou Valdis Dombrovskis à Lusa e outros meios europeus. O crescimento da economia da zona do euro vai desacelerar, em 2026, para 0,9% e o da UE para 1,1%, devido ao conflito no Oriente Médio, segundo as previsões econômicas da primavera, divulgadas hoje pela Comissão Europeia. Em uma análise de cenários publicada nessas previsões econômicas de primavera, projeta-se que, no cenário mais adverso, o crescimento do PIB da UE sofrerá uma nova queda de 0,4 ponto percentual em 2026 (para 0,7% em vez de 1,1%) e de 0,7 ponto percentual em 2027 (também para 0,7% em vez de 1,4%). “Como os preços das matérias-primas só atingem o pico no final de 2026, a maior parte da transmissão desses aumentos para a economia se concretiza em 2027”, é dito. Além disso, em 2026, a inflação ficaria 0,3 ponto percentual acima do cenário-base (3,3% ante 3,0%), mas em 2027 a diferença poderia se ampliar para cerca de 1,1 ponto percentual (3,5% ante 2,4%). “O endurecimento da política monetária (…) ajuda a conter o aumento da inflação, mas exerce simultaneamente uma pressão adicional sobre o PIB. Os efeitos são persistentes devido aos atrasos inerentes na transmissão para os preços ao consumidor e para os salários, bem como ao ajustamento gradual das taxas de juro”, adianta a Comissão Europeia. Leia Também: Comissão revê para baixo crescimento das economias da zona do euro e da UE



Publicar comentário